Mitos e crenças sobre Computação em Nuvem: entenda o que é verdade e o que é mito, de forma a tomar a melhor decisão em relação a adoção do modelo de computação em nuvem para sua empresa.

 

Este artigo refere-se ao Capítulo 12 do livro “Computação em Nuvem para Gestores de Negócios”

Como há muita confusão em torno do que realmente seja computação em nuvem, é natural que também surjam mitos e crenças sobre a sua utilização. O problema essencial: esses mitos acabam fazendo sua implantação ocorrer mais devagar do que seria necessário, atrapalham as empresas que precisam fazer inovações, produzem medos infundados – e vai por aí afora.

De acordo com a consultoria Gartner[1], esses mitos só contribuem para dificultar, impedir a inovação e provocar o medo, tornando mais difícil obter progressos verdadeiros, gerar inovações e obter resultados. O importante é que você, como gestor de negócios, saiba distinguir bem o que são mitos e o que são fatos. E que não deixe de adotar “Computação em Nuvem” se isso pode alavancar e tornar mais competitiva a sua empresa.

A Gartner destacou alguns dos mitos sobre computação em nuvem que considera mais perigosos ou enganosos:

 

Mito 1: Nuvem sempre está ligada a (economia de) dinheiro

 

É verdade que os preços dos provedores estão caindo, especialmente os de infraestrutura como serviço (IaaS). Mas nem todos os preços de serviços em nuvem estão despencando – por exemplo, a maioria de software como serviço (SaaS) tem preços econômicos, mas que já estão relativamente estáveis.

Partir do princípio de que a nuvem sempre poupará dinheiro é uma premissa falsa. Poupar dinheiro pode acabar sendo um dos principais benefícios, mas isso não pode ser tomado ao pé da letra. Há casos em que os ganhos em agilidade suplantam – e muito – os benefícios monetários. Além disso, qualquer implantação em nuvem deve considerar o TCO (custo total de propriedade), a capacidade de trocar investimentos de capital (CAPEX) por despesas operacionais (OPEX) – além de outras decorrências que fogem totalmente das análises puramente financeiras.[2]

 

Mito 2: Para ser bom no que você faz, é preciso usar serviços da nuvem

 

O marketing dos fornecedores de nuvem (ou de soluções que se aproximam, mas não são Computação em Nuvem ) é muito forte e passa exatamente esta impressão: você não é bom se não estiver na nuvem…

As áreas de TI também estão cada vez mais chamando muitas coisas de ”nuvem” para conseguir aprovar seus orçamentos ou obter financiamentos, às vezes até “atendendo” a pedidos de seus CEOs que querem “mais coisas na nuvem…”.

O mito resultante é que as pessoas estão caindo na armadilha de acreditar que se algo é bom tem que estar em nuvem. É preciso que os movimentos para nuvem façam sentido para sua empresa[3]. Há casos em que os movimentos para a nuvem fazem mais sentido para as PMEs que para as grandes empresas, que têm capital e podem bancar suas próprias instalações de forma eficiente e adequada.[4]

 

Mito 3: A Nuvem deve ser usada para tudo

 

Este mito tem um casamento perfeito com o mito 2.

Ocorre que se não houver ganhos econômicos significativos ou ganhos de agilidade e flexibilidade empresarial, nem sempre a nuvem será uma alternativa perfeita quando comparada a um data center próprio, por exemplo. Por outro lado, nem todas as aplicações e suas respectivas cargas de trabalho podem se beneficiar da nuvem. É importante ter a coragem e o bom senso de propor soluções “não nuvem” quando este for o caso, embora os provedores estejam cada vez mais ousados, oferecendo a nuvem como uma plataforma de serviços para “qualquer coisa”[5]

 

Mito 4: O CEO disse que é uma estratégia de nuvem, então é…

 

Quando inquiridas sobre sua estratégia de nuvem, muitas empresas não têm um padrão ou modelo e, espremendo o suco do limão, acabam confessando que estão apenas fazendo o que seu CEO quer que seja feito. Claramente esta não é uma estratégia de nuvem.

A estratégia de nuvem começa por identificar os objetivos de negócio e por mapear potenciais benefícios da nuvem para a empresa, bem como pelos levantamentos de potenciais inconvenientes. Nuvem deve ser pensada como um meio para um fim. Este fim é que deve ser especificado em primeiro lugar. O difícil mesmo é conversar e explicar para o CEO que as coisas não são bem assim[6]

 

Mito 5: Precisamos de uma estratégia de nuvem que contemple um único fornecedor e uma única infraestrutura

 

A computação em nuvem não é uma “coisa”, e uma estratégia de nuvem deve ser baseada nesta realidade. Serviços em nuvem são amplos e abrangem múltiplos níveis (IaaS, SaaS), modelos, escopos (internos, externos) e aplicações.

A estratégia de nuvem deve ser baseada em alinhar os objetivos de negócios com potenciais benefícios que ela proporcione. Essas metas e benefícios são diferentes nos diversos casos de uso e devem ser a força motriz para as empresas definirem o que precisam – ao invés de ficarem tentando padronizar uma única oferta ou estratégia.

A Microsoft tem um excelente artigo sobre critérios para escolha de provedores[7], e o artigo da TechBeacon (um provedor) apresenta 5 dicas bem práticas[8].

 

Mito 6: usar a Nuvem é menos seguro que usar recursos e capacidades locais

 

A computação em nuvem é percebida como sendo menos segura. Esta é mais uma questão de desconfiança, que não necessariamente está fundamentada em uma análise razoável (e honesta) de recursos de segurança reais.

Tem havido muito poucas falhas de segurança na nuvem pública – enquanto que a maioria das violações de sistemas e bases de dados ocorre mesmo é nos data centers locais.

Os provedores de nuvem têm continuamente demonstrado suas capacidades e cuidados com segurança. Não há razões concretas para acreditar que as suas ofertas não sejam seguras. Ou que o nível de segurança esteja de fato abaixo das especificações requeridas pela sua empresa. Em outras palavras, a segurança dependerá do provedor que você escolher. Grandes provedores têm todos os recursos de segurança que você pode imaginar (e seu time de TI conhece bem quais são)[9].

Leia este artigo falando da simples instalação de um ERP[10], se quiser ter uma boa ilustração do assunto (instalação local versus em nuvem).

 

Mito 7: Nuvem não é para ser usada em sistemas de missão crítica

 

Com computação em nuvem não se pensa dessa forma, na base do “tudo” ou “nada”. Por isso é que deve ser adotada em etapas e em casos específicos.

Não surpreende o fato de que os casos de uso iniciais, em geral, não envolvem sistemas de missão crítica. Mas este panorama está mudando rapidamente hoje: muitas organizações têm progredido além de casos de uso iniciais somente para testes e experimentação – e estão utilizando a nuvem, desde o início, para cargas de trabalho de missão crítica.

Há também muitas empresas (e não apenas pequenas “startups”) que são “nascidas na nuvem” e que executam seu negócio principal completamente na nuvem (ou seja, já nascem executando seus sistemas de missão crítica na nuvem).

O motivo dessa mudança de paradigma? O motivo é simples: perdas de bilhões de dólares causados por problemas em sistemas rodando “in-house”.[11]

 

Mito 8: Nuvem = Data Center

 

As decisões de ir para a nuvem não são (e não deveriam ser) algo como “vamos desligar completamente centros de dados locais – e mover tudo para a nuvem”. Porque, a rigor, uma estratégia de nuvem não é exatamente a mesma coisa que uma estratégia de data center local.

Analisando todas as aplicações necessárias à empresa, usando metodologias que permitam comparar as aplicações sob ângulos como peso financeiro, peso estratégico, etc., fica fácil descobrir que algumas devem rodar no data center local pois não faz sentido migrá-las para nuvem. Sempre que sistemas e dados são movidos para fora do data center local existem implicações técnicas e estratégicas. Data center local e nuvem não são a mesma coisa.

A migração para nuvem não pode ser encarada, também, como uma espécie de “terceirização de centro de dados”. Ou de “modernização do data center local”. Dependendo dos serviços contratados nos provedores (e dos sistemas utilizados), certamente haverá uma parcela das equipes de TI que dará suporte (maior ou menor) aos usuários, parametrizará e acompanhará os sistemas que estão rodando, fará a manutenção preventiva e evolutiva de sistemas próprios, testes de novos sistemas…

Para sistemas rodando em nuvem (especialmente em IaaS e PaaS), os provedores oferecem sistemas de alerta parametrizáveis. Alguém tem que fazer essas parametrizações (escrever os “scripts”). E alguém tem de verificar os alertas quando emitidos.

Ocorre que os provedores estão atendendo a centenas ou milhares de clientes, com uma profissionalização ímpar de suas instalações. Está ficando cada vez mais difícil manter localmente os sistemas se estes podem rodar em provedores em condições muito mais vantajosas e cada vez mais seguras.  As coisas estão mudando muito e este artigo ilustra bem esta questão, dando uma ideia de até onde se pode – ou não – considerar a migração.[12]

 

Mito 9: A migração para a nuvem significa automaticamente obter todas suas características (ou benefícios)

 

Não assuma que ‘a migração para a nuvem’ significa que os benefícios e vantagens potenciais da nuvem serão automaticamente obtidos, especialmente para aplicações próprias rodando serviços do tipo IaaS.

Os serviços em nuvem são muitos e potencialmente poderosos. Mas isso não significa que uma aplicação de sua empresa, que roda no seu data center, se for instalada na nuvem, herdará automaticamente todos os seus benefícios. Aplicações antigas ou proprietárias podem não conseguir extrair benefícios da nuvem como, por exemplo, a escalabilidade e o balanceamento de cargas.[13]

Nestes casos, essencialmente, sua empresa deixará de usar servidores locais para usar servidores na nuvem, sem usufruir dos demais benefícios potenciais.

 

Mito 10: virtualização = Private Cloud

 

O tema aqui é complexo para as pessoas que lidam com negócios e não com tecnologia da informação. O fato é que é possível contratar servidores em provedores e construir uma espécie de “nuvem privada”.  Ou seja, sua empresa contrata um conjunto de servidores virtuais e instala ali suas aplicações.

Mesmo que isso seja muito bem feito, não quer dizer que a empresa esteja implementando computação em nuvem. Está, sim, virtualizando seus servidores, sem usufruir de todas as vantagens que as nuvens públicas oferecem.

Essas “nuvens privadas”, mesmo rodando em ambientes virtualizados, requerem um alto esforço de gerenciamento de suas equipes. Essas soluções são “vendidas” pelas equipes de TI por teoricamente oferecerem mais segurança para a empresa. Como gestor do negócio, você precisa se certificar até que ponto isso é verdade e se o custo de manter parte da equipe interna de TI gerenciando isso compensa o ganho de “segurança”. Os motivos reais podem não ser exatamente esses.[14]

 

Concluindo

 

O importante é que você não deixe de considerar o uso de computação em nuvem em sua empresa sem fazer uma boa análise das vantagens e benefícios no seu caso específico. Considere deixar de lado crenças que não se justificam nos dias de hoje, para uma indústria de serviços que está absolutamente madura, para usufruir do melhor que esses serviços de nuvem oferecem, aumentando sua produtividade e sua capacidade competitiva.

 

 

Referências

[1] Gartner Highlights the Top 10 Cloud Myths – http://www.gartner.com/newsroom/id/2889217

[2] O artigo “Analysing the Cost Savings of Cloud Computing” é bem ilustrativo e  permite baixar uma planilha para fazer análises: http://www.accountingweb.co.uk/press/analysing-cost-savings-cloud-computing

[3] Does Moving To The Cloud Make Good Financial Sense For Your Company? – http://www.alliedtelecom.net/moving-company-to-the-cloud/

[4] Why Moving to Cloud Makes Sense for Mid-Market and SMB Organizations – http://www.thewhir.com/web-hosting-news/why-moving-to-cloud-makes-sense-for-mid-market-and-smb-organizations

[5] The Future Of Cloud: Everything As A Service: http://www.digitalistmag.com/technologies/cloud-computing/2015/06/16/future-of-cloud-everything-as-a-service-02936707

[6] Como os CIOs podem conversar com seus CEOs sobre a migração de aplicações para a nuvem – http://www.opus-software.com.br/como-os-cios-podem-conversar-com-seus-ceos-sobre-a-migracao-de-aplicacoes-para-a-nuvem/

[7] How do I choose a cloud service provider? https://azure.microsoft.com/en-us/overview/choosing-a-cloud-service-provider/

[8] 5 tips for choosing an enterprise cloud services provider – http://techbeacon.com/5-tips-choosing-enterprise-cloud-services-provider

[9] The myths of cloud computing: true or false? – Don’t be afraid of the cloud – Myth no. 1: The cloud is unsafe

[10] The False Sense Of Security. A Comparison Of Cloud Vs On-premise Software – http://usersnap.com/blog/comparison-of-cloud-vs-on-premise-enterprise-software/

[11] Managing Mission-Critical Operational Assets with Cloud-Based, Self-Service Automated Locker Systems – http://www.supplychain247.com/paper/managing_mission_critical_operational_assets_with_cloud_based_self_service

[12] 10 Trends that Will Impact Your Data Center in 2016 – http://focus.forsythe.com/articles/458/10-Trends-that-Will-Impact-Your-Data-Center-in-2016

[13] 11 Pros and Cons of Cloud Computing Everyone Should Know – https://www.linkedin.com/pulse/11-pros-cons-cloud-computing-everyone-should-know-umesh-singh

[14] A Confusão sobre “Nuvem Privada” – http://blog.opus-software.com.br/a-confusao-sobre-nuvem-privada/

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