O nome do evento anual da Amazon Web Services (AWS) voltado para a comunidade de desenvolvedores de software e líderes técnicos não poderia ser mais apropriado: “re:Invent”. Ao anunciar, na edição 2013 do evento, ocorrida na semana passada, uma série de novos serviços para a nuvem, ficou mais uma vez claro que, para a Amazon, Cloud Computing e reinvenção andam de mãos dadas.  E sua estratégia para serviços de computação em nuvem vai ficando cada vez mais nítida, também.

E a estratégia é muito simples, típica até para uma empresa cuja cultura foi moldada no varejo: atender à demanda de seus clientes.  A impressão que dá é que a equipe da Amazon monitora constantemente o tipo de uso que seus clientes estão dando para os serviços na nuvem e, a partir daí, pensa em formas de atender melhor a essas demandas.

Em linhas gerais, vejamos os novos serviços anunciados:

  • WorkSpaces: permite rodar estações de trabalho na nuvem, implementando o conceito de VDI (Virtual Desktop Infrastructure). Dessa maneira, o usuário pode ter seu computador Windows rodando na nuvem, com seus arquivos e aplicações preferidas, e acessá-lo a partir de qualquer dispositivo (outro computador, tablet ou smartphone).
  • AppStream: Serviço de baixa latência para aplicações que exigem grandes recursos. Os resultados das aplicações que usarem esses serviços serão transmitidos de forma contínua, por exemplo, para dispositivos móveis. A ideia de oferecer transmissão contínua com baixa latência torna esse serviço especialmente adequado para a implementação de jogos que exigem grande capacidade de processamento não disponível nos dispositivos pessoais.
  • CloudTrail: Serviço que permite criar uma trilha de auditoria registrando todas os pedidos que uma determinada aplicação realiza para a infraestrutura da Amazon (ou seja, todas as chamadas às APIs da AWS). Esse é um enorme avanço para acelerar a adoção da computação em nuvem para as grandes corporações, uma vez que a capacidade de rastrear as aplicações é fundamental para implantar controles de conformidade legal.

Além desses novos serviços, outras novidades foram anunciadas:

  • Novos exemplos do Test Drive: O Test Drive da Amazon é um conjunto de exemplos de configuração de aplicações complexas para rodar na nuvem, dando aos clientes a oportunidade de entenderem como usar a tecnologia que eles já conhecem no ambiente AWS. Há vários modelos prontos para serem testados, e durante o evento deste ano, vários novos exemplos foram anunciados, ampliando o leque de possibilidades que o cliente pode testar antes de embarcar na nuvem.
  • Novas instâncias tipo C3: Dado que a unidade básica de processamento dentro da AWS é chamada de “Instância”, o usuário aloca um “servidor” na infraestrutura e define o tipo desse servidor.  O novo tipo C3 lançado agora é o mais poderoso da família, e possui maior capacidade de processamento e memória mais veloz do que as instâncias até então disponíveis.
  • Novas instâncias tipo I2: Esse novo tipo de instância apresenta um alto desempenho de operações de entrada e saída (especialmente, gravações e leituras de disco), atendendo de maneira mais apropriada às aplicações que manipulam grandes volumes de dados.
  • Novos recursos de indexação no DynamoDB NoSQL: DynamoDB é um dos tipos de gerenciador de banco de dados oferecido pela AWS, e agora ele oferece recursos adicionais que facilitam o desenvolvimento de aplicações.
  • Redshift: Redshift é um recurso disponível na AWS para armazenamento e manipulação de grandes quantidades de dados. A partir de agora é possível salvar cópias de segurança dos dados armazenados no Redshift em diferentes regiões geográficas, aumentando a segurança em caso de falhas.
  • Suporte ao PostgreSQL: O banco de dados open source PostgreSQL passou a ser suportado no serviço no RDS, que é o serviço de bancos de dados relacionais da AWS.

Apesar de o conjunto de novidades apresentadas no evento ser notável, a mais inovadora e mais importante delas foi justamente a última a ser anunciada: o Kinesis.

Kinesis

Kinesis é um novo serviço que permite o processamento de fluxos contínuos de dados de grande volume. Segundo o anúncio, Kinesis pode armazenar e processar terabytes de dados por hora vindos de milhares de fontes diferentes. O novo serviço pode elevar o Processamento de Eventos Complexos (CEP – Complex Event Processing) para um patamar até então economicamente inviável para a grande maioria das organizações. Considerado a exponencialmente crescente quantidade de dados gerados por sensores, aparelhos móveis, transações financeiras e atividades nas redes sociais, novas aplicações capazes de lidar com esse astronômico volume de informações precisam de uma infraestrutura computacional robusta e de alto desempenho. O novo serviço disponibilizado pela Amazon pode ser a resposta para essa necessidade.

Ao propor uma solução desse tipo, a Amazon dá um passo significativo para deixar de ser apenas uma provedora de infraestrutura como serviço (IaaS), que pode ser facilmente copiada por seus competidores, e começa  a oferecer um diferencial relevante baseado em inovação e tecnologia.

Varejo e Tecnologia

Não deixa de ser surpreendente que, em um cenário competitivo povoado por empresas que construíram suas trajetórias de sucesso e sua reputação através da oferta de tecnologia de ponta e soluções disruptivas, como IBM, Microsoft, Google, Oracle e HP, a primeira resposta à altura aos desafios oferecidos pela Internet das Coisas e pela avalanche de dados atômicos gerados pelos novos dispositivos móveis e redes sociais venha de uma empresa vista até há pouco tempo como uma mera varejista online se aventurando pelos meandros tecnológicos, e ameaçando transformar a computação em uma simples commodity. Agora, a Amazon inaugura  um novo ciclo de inovação, e os competidores terão que vir atrás. Mas isso é assunto para outro post.

O que não surpreende é esse novo ciclo de inovação ser motivado pelo desejo de atender à demanda dos seus clientes. E isso os varejistas sempre fizeram muito bem!


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