Microsoft na Nuvem – Como dizíamos no post anterior, um bom modo de prever como se comportará qualquer plataforma computacional em termos de penetração de mercado é verificar o seu grau de adoção pelos profissionais e empresas que desenvolvem software. Ora, as plataformas em si são normalmente de pouca atratividade para os usuários finais. O que eles querem são as aplicações que essas plataformas disponibilizam. E os desenvolvedores de software estão construindo hoje as aplicações que utilizaremos amanhã. Daí o fator de previsibilidade.

Claro, alguns em alguns raros casos ocorre exatamente o contrário: uma plataforma é tão bem sucedida junto aos usuários finais que os desenvolvedores correm para desenvolver novas aplicações para essa plataforma, uma vez que o mercado já está garantido. Entretanto, isso só costuma acontecer quando a plataforma já é lançada com um bom conjunto de aplicações embutidas. O melhor exemplo recente desse fenômeno é o iPhone. Entretanto, essa vantagem competitiva inicial pode ser anulada por uma boa estratégia de atração de desenvolvedores, como o Android tem demonstrado.

Microsoft na Nuvem

É justamente isso que fortalece a posição da Microsoft no mercado de Cloud Computing. Embora muitos tenham taxado a estratégia inicial da empresa na nuvem como titubeante – afinal, sua principal fonte de receita ainda é o modelo de licenciamento de software, e demorou bastante para ela oferecer o MS Office na nuvem, por exemplo – o alinhamento da empresa em torno de sua plataforma Windows Azure parece finalmente ter engrenado nos dois últimos anos.  Além de ter estendido sua oferta de nuvem para muito além do mundo Windows, incluindo Linux e vários pacotes open-source pré-configurados em suas soluções de IaaS (Infrastructure as a Service), todos os produtos da empresa têm agora, em seu plano de evolução, alguma relação com Cloud Computing.

Mas o ponto principal que faz da Microsoft um competidor importante no cenário de Cloud Computing é justamente sua ferramenta de desenvolvimento Visual Studio. Além de ser uma das mais completas ferramentas de desenvolvimento de software do mercado, e de oferecer inúmeras facilidades para a construção de aplicações Web, o Visual Studio já oferece um excelente suporte para a confecção de aplicações otimizadas para a nuvem Windows Azure. Considerando que existe uma legião imensa de desenvolvedores que conhecem bem o ambiente Microsoft e o Visual Studio, e que o suporte oferecido pela ferramenta abaixa a barreira de entrada para o modelo de Cloud Computing, é uma questão de tempo para vermos inúmeras novas aplicações desenvolvidas para a plataforma Windows Azure, isto é, rodando exclusivamente na plataforma de nuvem da Microsoft.

A prova cabal de que a Microsoft está visando bater de frente com a AWS e outros competidores no mercado de Cloud Computing é o fato de ela não ter se esquecido de outros ambientes de desenvolvimento: o Windows Azure oferece bibliotecas de apoio para linguagens como Java (já integradas à ferramenta de desenvolvimento Eclipse), PHP, Javascript (Node.js), Ruby e Python.

É interessante lembrar que a Microsoft era, no início, uma empresa focada em ferramentas de desenvolvimento de software. Seu primeiro produto foi um interpretador de Linguagem Basic e, antes de ingressar no mercado de sistemas operacionais, a empresa se notabilizou por seus compiladores para várias linguagens. Mais do que ninguém, ela sempre soube que uma plataforma computacional bem sucedida está calcada em boas ferramentas de desenvolvimento.

Vale a pena ficar de olho nessa tendência. E não menosprezar a força da Microsoft quando o assunto é apoio aos desenvolvedores de aplicações.

 

Fatores (não tão óbvios) que Impactam a Adoção de Cloud
Killer Cloud Computing Applications

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