Em 1865, o economista inglês William Stanley Jevons descreveu o que mais tarde  ficaria conhecido como o paradoxo de Jevons: À medida que o progresso tecnológico melhora a eficiência no uso de determinado recurso, seu consumo tende a aumentar em vez de diminuir.
Seu argumento veio da observação de que as melhorias tecnológicas que melhoraram a eficiência do uso do carvão nas indústrias britânicas levaram a um aumento no seu consumo. Contraintuitivo. Mas válido até hoje.

O que Jevons observou com o carvão tende a acontecer também com os recursos de TI. Cloud Computing trouxe um ganho de eficiência enorme no uso da infraestrutura de TI, mas isso não deve levar a uma necessidade menor de hardware ou de pessoas. Pelo contrário, o aumento da eficiência, embora venha diminuir o custo unitário, leva a um maior consumo de tudo: vamos precisar de mais hardware, mais software e mais pessoas para cuidar disso tudo.

 

Não significa, entretanto, que o mercado de trabalho de TI ficará estático. Os conhecimentos e habilidades exigidos para algumas funções deverão mudar. Fique atento a isso. Caso contrário, você pode acabar virando um maquinista de maria-fumaça.

CIOs

O tempo gasto em tarefas relacionadas à operação (como planejamento e aquisição de recursos de TI) diminuirá com a intensificação do uso de Cloud Computing. Por outro lado, atividades relacionadas à definição de métricas e à monitoração dos SLAs dos provedores de serviços de Cloud Computing ganharão espaço.

Apesar de ganhar tempo de um lado mas perder de outro, o saldo final deverá ser positivo. Estudo feito pela CA Technologies com 685 CIOs, 54% deles relataram ter mais tempo para estratégia e inovação após a adoção de Cloud Computing. Ou seja, a função de CIO deve ser muito mais estratégica e orientada a negócios.

Arquitetos corporativos

As atividades relacionadas à arquitetura corporativa de TI continuam basicamente as mesmas, mas a forma como serão conduzidas deve mudar. O gerenciamento dos ativos de TI passa a incluir o gerenciamento dos ativos na Nuvem. As políticas de governança, compliance e segurança devem ficar mais complexas, pois podem incluir sistemas e dados armazenados em redes públicas.

Além disso, o arquiteto corporativo deve passar a ser um especialista em Cloud Computing, conhecendo em detalhes as tecnologias disponíveis e suas implementações. Conhecimento em SOA também será exigido, pois a arquitetura de serviços é uma das principais formas das aplicações interagirem em um ambiente distribuído.

Engenheiros de software

Quando ouvimos o termo Cloud Computing, a primeira coisa que vem à nossa mente é infraestrutura. Máquinas, discos, repositórios de dados, redes. Mas não podemos esquecer que tudo isso é apenas um meio para executar o que realmente gera valor: o software.

Em ambientes de Nuvem, as exigências sobre as aplicações são muito maiores. São ambientes distribuídos geograficamente, com topologias variáveis e recursos praticamente infinitos. As aplicações precisam ser construídas de maneira a serem escaláveis, robustas. O conhecimento profundo do ambiente de Cloud Computing e de aplicações distribuídas de alta disponibilidade passa a ser essencial para o engenheiro de software.

Administradores de sistemas

Grande parte do trabalho de um administrador de sistemas torna-se automatizado com a adoção de Cloud Computing. Assim, o conhecimento das APIs específicas dos provedores de Cloud Computing e familiaridade com ferramentas comoChef e Puppet passam a ser praticamente obrigatórios. Além disso, o administrador de sistemas precisa saber monitorar aplicações escaláveis, distribuídas geograficamente e com uso variável de recursos.

Em resumo, a adoção de Cloud Computing deve alterar o conjunto de conhecimentos que as empresas buscam nos profissionais de TI. Novas funções podem ser criadas e novos conhecimentos devem passar a ser exigidos dos profissionais atualmente no mercado. Mas, da mesma forma que Jevons observou com relação ao carvão em sua Inglaterra Vitoriana, o aumento de eficiência trazido por Cloud Computing deve fazer com que os recursos de TI sejam mais consumidos do que nunca. Em outras palavras, as perspectivas para os profissionais de TI continuam excelentes!

 

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A Servitização da Economia

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