Peter Drucker e a Internet

Em 1999, em meio à grande bolha da Internet, quando só se falava na “Nova Economia” e tudo girava em torno das novas estratégias que iriam mudar o mundo, Peter Drucker escreveu um artigo falando sobre sua visão a respeito das novas possibilidades que a rede trazia. Ele lembrava que a máquina a vapor foi o gatilho e o símbolo da revolução industrial, da mesma forma que o computador simboliza a revolução da informação. Entretanto, alertava para um aspecto histórico que não deve ser desprezado: apesar do grande impacto causado pela mecanização da produção proporcionada pela máquina a vapor (que alterou substancialmente a sociedade através do aumento de escala da produção), a maior mudança econômica e social só foi possibilitada pelo surgimento das ferrovias, apenas 40 ou 50 anos.

Ainda, segundo Drucker, “é difícil imaginar por que a invenção da ferrovia demorou tanto. Os trilhos para movimentar os carrinhos já existiam nas minas de carvão havia muito tempo. O que poderia ser mais óbvio do que colocar um motor a vapor num carrinho para movimentá-lo, em vez de empurrá-lo com pessoas ou puxá-lo com cavalos? No entanto, a ferrovia não surgiu dos carrinhos das minas, sendo desenvolvida de forma bastante independente”. E foi a ferrovia quem criou uma nova dimensão econômica então, além de alterar o que Drucker chamou de “geografia mental”, transformando o que antes eram apenas aglomerados de regiões independentes em verdadeiras nações integradas econômica, social e politicamente.

Internet e a Computação em Nuvem

Ainda naquele artigo, Drucker o concluía observando que, naquele momento, ainda não estava claro o impacto que o comércio eletrônico viabilizado pela Internet causaria nos modelos de distribuição, intermediação e comercialização de bens e serviços. E que, talvez, as principais mudanças que a Internet causaria na sociedade não eram ainda possíveis de se vislumbrar naquele momento: aquelas advindas da mudança de mentalidade, aquelas provocadas pela própria Internet.

O fato é que, mais de 10 anos depois, temos observado que a Internet possibilitou o surgimento de conceitos e modelos de negócio até então impossíveis de serem concretizados, dentre eles a Computação em Nuvem. Embora os serviços públicos de computação já tivessem sido previstos – e até perseguidos  desde a década de 60 –, foi a Internet quem viabilizou esse modelo.

Em um primeiro momento, a atenção do mercado na utilização da Computação em Nuvem está concentrada na reprodução dos modelos computacionais tradicionais. Os benefícios de elasticidade, redundância e redução de custos proporcionados pelo novo paradigma são evidenciados na comparação com o modelo computacional pré-existente, e isso já representa um avanço significativo em relação ao estágio anterior.

Além disso, alguns impactos sócioeconômicos são visíveis, como o acesso das pequenas e médias empresas a recursos computacionais que antes só estavam disponíveis para grandes organizações. Alguns novos modelos de negócio também começam a ser viabilizados, como vídeos sob demanda em larga escala. Outras transformações também estão em curso, como a anunciada era “pós-PC”, em que as informações passam a estar acessíveis de qualquer lugar e os novos dispositivos móveis substituem os computadores pessoais.

Mudança de mentalidade

Mas, nada disso ainda parece ser o que vai realmente mudar de maneira significativa nossa forma de viver e de pensar. O mais provável é que o verdadeiro impacto da Computação em Nuvem, conforme sugeria Drucker, ainda esteja à espreita, aguardando a mudança de mentalidade que certamente resultará de seu uso em maior escala. E, talvez, esse impacto nos ajude a reavaliar o tal paradoxo da produtividade. Mas isso fica para outro post.

 

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