O desafio de incorporar as novas tendências da tecnologia à organização está transformando o conceito de TI que conhecemos.

Estaria a TI fadada a virar commodity e deixar de ser um diferencial dentro de uma organização? Seria ela utilizada somente para gerenciamento de risco, suporte ou otimização de custos? Essas eram previsões polêmicas que Nicholas Carr lançou sobre TI em seu artigo “IT doesn’t matter” em 2003. Hoje, com o impacto de novas tendências como o cloud computing e a consumerização, devemos refletir novamente sobre uma mudança no papel da TI.

A terminologia Enterprise Technology (ET), ou Tecnologia Empresarial (TE) citada pela Network World*, é apresentada como a resposta aos desafios que a TI enfrenta com as novas tecnologias, como quando um funcionário tem o seu próprio dispositivo para trabalho, ou quando a empresa escolhe usar a nuvem para armazenar seus arquivos. Como integrar em tempo real algo de que não se tem o controle?

É preciso se adaptar. Inovando.

A computação foi incorporada às empresas ao longo dos anos 1950 e 1960, pelo Sistema de Informação Gerencial (SIG) coordenado pelo Centro de Processamento de Dados (CPD). O SIG foi uma revolução no back office, pois automatizou processos repetitivos ao acelerar o processamento de dados. Porém, o impacto do SIG foi limitado, já que os funcionários conhecidos como “knowledge workers” continuavam trabalhando com gabinetes repletos de pastas suspensas, secretárias e telefones.

Enquanto o CPD se preocupava em desenvolver o sistema SIG, outras tecnologias como os desktops e as LANs (e mais tarde, a Internet) emergiam nos anos 1980. Mais funcionários começaram a trabalhar com computadores os quais supriam necessidades de compartilhamento de informações e de respostas em tempo real que o SIG não fornecia. O departamento de TI nascia para administrar as novas redes computacionais. Assim, as pessoas que gerenciavam TI não eram as mesmas que gerenciavam o SIG. Por ser mais abrangente, a TI incorporou e passou a comandar o SIG.

Então, como ficam os profissionais de TI no contexto da Tecnologia Empresarial? Se seguirmos a lógica acima, eles seriam incorporados por novos profissionais especializados em TE. Porém, se a TI for vista como função estratégica, e não apenas como função operacional que integra processos e reduz custos, cabe a ela se mostrar disposta à transformação – mesmo porque as questões que envolvem tecnologia não são problemas localizados e afetam toda a empresa.

Na Tecnologia Empresarial, os profissionais são responsáveis por operacionalizar inovação de uma forma replicável. Isso é, fazer com que as novas ideias e tecnologias sejam aplicadas efetivamente em toda organização, utilizando um método que garanta que a inovação, mais do que se integre, se incorpore. Isso envolve descobrir novas tecnologias, testá-las e desenvolvê-las, decidir quais merecem um futuro investimento, integrar tecnologias díspares em uma única solução de negócio e dispor das infraestruturas operacionais que contribuem com o crescimento da organização.

Ao invés de serem considerados “engessados” que seguem um modelo rígido de controle, os profissionais de TI têm que ser referência de quem faz uma boa ideia acontecer. Isso significa repensar tudo dentro da organização, desde estratégias de sourcing e relacionamento de vendas até governança, organização, treinamento e contratação. Isso não é nada fácil e muda o papel do profissional de TI, acostumado a estar nos bastidores, agora chamado para assumir responsabilidades nas iniciativas da empresa como um todo.

A TI já é vista como função estratégica dentro das empresas? A Tecnologia Empresarial é realmente onde vamos chegar? Deixe seu comentário.

*Leia mais em: http://www.networkworld.com/news/2012/042312-consumerization-258458.html.

 

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