Agora, em 2 de dezembro, o Google anunciou finalmente que tornou amplamente disponível sua oferta de Infraestrutura como serviço (IaaS – Infrastructure as a Service), o Google Compute Engine. Esse era um anúncio ansiosamente esperado. Mais do que apenas uma nova oferta, a expectativa se justifica pelo fato de o mercado estar ávido para entender a estratégia, a abordagem e, em última análise o que, para o negócio do Google, Cloud Computing realmente significa.

Amazon, Microsoft e Google

É senso comum entre os analistas que o mercado de Cloud Computing em geral deverá ter como principais competidores a Amazon, a Microsoft e o Google.

  • A Amazon, vinda do varejo online, surpreendeu e tomou de assalto o mercado, tornando-se rapidamente a líder inconteste.
  • Para a Microsoft, Cloud Computing é questão de sobrevivência, uma vez que seu modelo de negócios baseado em licenciamento de software tem sido fortemente ameaçado pelos novos modelos de software como serviço, software patrocinado e open source. Além disso, a ameaça que a Netscape representou nos anos 90, de transformar o navegador no principal canal de acesso dos usuários aos recursos computacionais que seriam futuramente concentrados na Internet, relegando o Microsoft Windows à condição de mero suporte plenamente substituível, está agora se materializando rápida e inexoravelmente pela ampla disseminação dos dispositivos móveis e pela sua combinação com a computação em nuvem.
  • O Google, por sua vez, sempre teve seu negócio completamente baseado na Internet. Mais do que isso, a empresa é incontestavelmente a principal força nesse segmento.

google cc f1

 

O movimento na direção de competir diretamente pelo mercado de computação em nuvem é, portanto, um passo inevitável para o Google manter sua posição dominante e continuar sua trajetória de sucesso. Entretanto, a empresa foi a última a avançar nesse sentido.

A Amazon lançou seu serviço EC2 (Elastic Cloud Computing) em caráter experimental em 2006, e entrou em regime de produção em 2008, quando retirou a etiqueta de beta do serviço. Desde então, não parou mais lançar novos serviços, reduzir preços e ampliar sua fatia de mercado.

A Microsoft, por sua vez, lançou o Azure apenas em 2010, mas seu atraso se justifica pela sua estratégia: sendo a líder do mercado de sistemas operacionais de servidores para os data centers privados, ela precisava harmonizar sua oferta com a necessidade dos clientes de realizarem uma transição suave para o novo modelo. Além disso, ela não podia desprezar sua imensa base instalada, nem realizar uma ruptura de modelo de negócios que colocasse seu fluxo de receitas em risco. Dessa forma, ela priorizou inicialmente a construção de uma plataforma para migrar as aplicações on-premise para a nuvem, e evoluiu seu sistema operacional de servidores para atender ao novo modelo, chegando ao Microsoft Azure. Apenas depois de consolidar sua oferta de plataforma como serviço (PaaS – Platform as a Service) é que ela investiu na entrega de IaaS, que finalmente passou a oferecer a partir de maio deste ano.

No caso do Google, o fato de ter lançado sua oferta de PaaS, o Goole App Engine, já em abril de 2008, embora ainda em caráter experimental, parecia indicar que a empresa colocaria foco na rápida ampliação de seus serviços de Cloud Computing para o mercado. Entretanto, não foi o que aconteceu. O Google App Engine só entrou em produção oficialmente em setembro de 2011, embora a empresa tenha afirmado, em março de 2013, que a plataforma já possuía mais de 250.000 desenvolvedores, hospedando mais de 1 milhão de diferentes aplicações e entregando 7,5 bilhão de páginas Web diariamente, o que faria dela a líder do mercado de PaaS.

Google Compute Engine 2013

Dessa maneira, o anúncio da disponibilidade pública do Google Compute Engine, realizado apenas agora, deu à Amazon Web Services pelo menos cinco anos de vantagem – o que é uma eternidade nesse mercado.

É curioso observar que, em certo sentido, a estratégia do Google para o mercado de Cloud Computing parece saída de um livro acadêmico. Em linhas gerais, seu principal serviço, o engenho de busca, pode ser visto como uma oferta de software como serviço (SaaS – Software as a Service). Suas ofertas seguintes, como Gmail e Google Docs, também se caracterizam dessa forma. Sua maior inovação, por incrível que pareça, não foi na tecnologia mas sim no modelo de negócios, propondo software patrocinado (e de uso gratuito) como alternativa ao modelo de licenciamento tradicional até então praticado pelos seus principais concorrentes, Microsoft incluída. Depois de consolidar sua posição no mercado de SaaS, investiu no PaaS. E agora, finalmente, chega ao IaaS. Tenha ou não planejado dessa forma, o fato é que sua trajetória foi cartesiana e ortogonal, descendo na escala de valor agregado degrau por degrau.

A principal questão agora será observar sua evolução mercadológica. Será que esse seu modo acadêmico e ordenado de construir sua presença no segmento de Cloud Computing resultará em uma posição sólida o suficiente para desafiar seus principais concorrentes?

Amazon Cloud Computing: Subindo a Régua
A Nuvem Caiu! E Agora???

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