No final de abril, ao divulgar os números de sua operação durante o primeiro trimestre de 2016, a Amazon ressaltou o crescimento das vendas em mais de 28%, surpreendendo os analistas de mercado, e apresentando um ótimo resultado positivo – impactado fortemente pelo lucro de Cloud Computing, Amazon Web Services (AWS).

O mais interessante é observar que, embora o faturamento da divisão AWS (Amazon Web Services) represente menos de 9% do faturamento total da empresa, o lucro de Cloud Computing representa 56% do lucro total da empresa.

Historicamente a Amazon alterna períodos de lucro e prejuízo, uma vez que canaliza boa parte de seus resultados para acelerar seu crescimento incessantemente. Ao longo de seus 22 anos de existência a empresa tem empregado essa estratégia de maneira consistente. A impressão que dá é que a empresa sistematicamente vai ao limite da paciência do acionista (e do mercado), apresentando longas sequências de resultados negativos (associadas a excelentes índices de crescimento) e, ocasionalmente, apresenta um trimestre de lucro para acalmar os ânimos do mercado que financia esse crescimento desenfreado.

[Dica: Baixe nosso ebook gratuito sobre Cloud Computing.]

O fato é que, tendo atingido mais de US$100 bilhões de faturamento em 2015 (gráfico 1), é impressionante que a empresa ainda apresente índices de crescimento de vendas na faixa de dois dígitos, como fez nesse trimestre. E, nesse caso, apresentando lucro. O preço das ações ultrapassou o valor de US$ 700, o maior de todos os tempos (gráfico 2).

Entretanto, vale ressaltar que o negócio de varejo trabalha com margens enxutíssimas, apresentando lucratividade em torno de 3% em 2015, enquanto o lucro de Cloud Computing apresenta taxas próximas a 25%. Considerando que a AWS ruma para faturar US$10 bilhões em 2016, é um índice de lucratividade representativo para qualquer segmento de mercado, ainda mais em uma operação desse porte.

Essa boa lucratividade, por outro lado, indica que existe gordura para queimar nos preços praticados ao mercado. Embora seja o líder inconteste do mercado de Cloud Computing, a AWS enfrenta competidores de peso (e de bolsos fundos) que têm mostrado continuamente sua disposição para reduzir preços. Com o acirramento da disputa de mercado, que certamente acarretará em novas rodadas de redução de preços, resta saber o quanto a Amazon pretende abrir mão de margens que, nesse momento, estão turbinando seus resultados e seu crescimento.

É esperar para ver!

Receitas Anuais – Crescimento acelerado Gráfico 1 – Receitas Anuais Amazon – Crescimento acelerado – – Fonte http://amigobulls.com/stocks/AMZN/stockcharts#AMZN-stock-chart

Preço das Ações Amazon

Preço das Ações Amazon

Gráfico 2 – Preço das Ações Amazon – Maior valor de todos os tempos… Fonte  http://amigobulls.com/stocks/AMZN/stockcharts#AMZN-stock-chart

Com o Lucro de Cloud Computing, vale a pena investir na Amazon?

Cloud Computing Brasil IIMesmo reduzindo preços dos serviços AWS, como sua margem de vendas é praticamente 10 vezes maior que a do varejo tradicional, a margem da empresa como um todo crescerá muito nos próximos anos. Alguns acreditam que a ação, que hoje vale pouco mais de US$700, poderá chegar a valer entre US$4.000 a US$ 6.000 nos próximos 10 anos. Se as vendas continuarem crescendo num ritmo de 20% ao ano, graças às operações de Cloud Computing, as vendas totais daqui a 10 anos estarão em torno de US$ 660 bilhões (US$ 107 bilhões X 1.2^10), o que já dá US$1.400 por ação…. Usando a relação P/L tradicional, atualmente em 3.1, o valor de mercado já atingiria US$4.224. No entanto, se a participação das operações com a nuvem aumentar sua fatia no “mix” total das receitas, isso aumentará a lucratividade do negócio como um todo. Isso poderia fazer o mercado elevar o fator P/L para 4 ou mais, fazendo o preço da ação chegar a 4 x US$1.400, pelo menos US$ 5.600. 8 vezes o que vale hoje.

Claro, no conjunto, são todas suposições que dependem de muitos fatores para se concretizarem. Neste momento, parece algo inimaginável. Mas basta lembrar que em 12 de maio de 1997, na primeira oferta a mercado, as ações foram comercializadas por US$1.73 em média (hoje, 19 anos depois, valem 400 vezes mais). Dez anos depois, em 14 de maio de 2007, já valiam US$ 63.3 (37 vezes mais). Multiplicar seu valor por 8, nos próximos 10 anos, parece não ser um feito impossível para a Amazon. (vide artigo “Is Amazon Going to Be Worth $6,000 Per Share?”).

Enfim, para quem gosta de arriscar, pode ser uma alternativa. Você faria essa aposta?

 

Mobile para negócios: “Mobilize-se”: A tecnologia imita a vida...
Ebook Computação em Nuvem para Gestores de Negócios - Índice

Compartilhe

Compartilhe este post com seus amigos