Saiba como está o mercado de Computação em Nuvem: os principais serviços, as tendências e as consequências diretas para as empresas.

 

Este artigo refere-se ao Capítulo 8 do livro “Computação em Nuvem para Gestores de Negócios”

Mercado Geral

 

Há dezenas de estudos publicados sobre o mercado de computação em nuvem para os próximos anos. As estimativas são todas diferentes, mas há uma coisa que todos os estudos têm em comum: o mercado de nuvem vai crescer muito e muito mais que os gastos em TI de uma forma geral. Isto demonstra que grande parte dos gastos hoje feitos em data centers internos serão paulatinamente transferidos para os provedores em nuvem.

Se você é um administrador conservador, é bom refletir sobre este aspecto. Não é possível andar na contramão da história, especialmente se seus competidores se apropriam de vantagens tecnológicas e sua empresa não.

Os gastos com nuvem, não importa a pesquisa, estão e vão continuar muito acelerados nos próximos anos. A curva de adoção de computação em nuvem está se acelerando numa escala global.

Por exemplo, um estudo da Goldman Sachs[1] afirma que os gastos com TI, no mundo, devem ter um crescimento médio aproximado de 5% ao ano até o ano de 2018 enquanto que os gastos com plataformas e infraestrutura em nuvem devem crescer na média 30% ao ano.

Já um estudo da Cisco – Global Cloud Index Forecast [2] – mostra a evolução média de 32% do tráfego de dados na nuvem, considerando o período de 2013 até 2018.

 

Crescimento do Tráfego de dados de Data Centers em Cloud[3]

Mercado de Computação em Nuvem

Fonte: Cisco Global Cloud Index, 2013-2018

 

Estes valores de zettabytes[4] são muito próximos com as projeções de várias outras pesquisas.

Esse crescimento na verdade tem dois eixos, devido a dois tipos de usuários finais: consumidores e empresas. Os data centers de empresas são dedicados em geral a necessidades organizacionais e estão sujeitos a fortes requisitos de segurança. Já os dados de consumidores finais, em número muito maior que o de empresas, formam um mercado que pode ser considerado de “massa”. Esse mercado de massa, graças aos smartphones e à internet das coisas, gerará um tráfego que é quase o dobro das empresas e terá uma taxa média anual de crescimento bem maior, conforme mostra a tabela a seguir:

 

Tráfego Global na Nuvem 2013 – 2018 – Segmentação por tipo de usuário final

Mercado de Computação em Nuvem

                Fonte: Cisco Global Cloud Index, 2013-2018

 

Tendências para PaaS, IaaS e SaaS

 

As tendências para os três serviços típicos em nuvem mostram que todos vão crescer, ainda que com taxas diferentes. Em 2013 e 2014, IaaS teve a maior participação de mercado. Ocorre que SaaS, em breve, terá a maior participação, sendo responsável por 59% da carga de trabalho em nuvem em 2018 – o que representa um crescimento médio de 33% no período de 2013 a 2018.

Ou seja, as empresas estarão comprando mais o que agrega mais valor aos seus negócios. Não é por outro motivo que os serviços SaaS crescerão mais.

 

Serviços Cloud até 2018 por tipo de “carga de trabalho”

Mercado de Computação em Nuvem

Fonte: Cisco Global Cloud Index, 2013-2018

 

Internet das Coisas

 

A Internet das Coisas poderá gerar um crescimento ainda maior nos serviços de Computação em Nuvem – e cujo impacto efetivo é bem difícil de se medir hoje.

A Internet das Coisas gerará um volume de dados gigantesco – bem acima dos dados convencionais que hoje chegam aos data centers das empresas através de simples cadastros de usuários. Conterão dados de uso efetivo, transmitidos pelos dispositivos, o tempo todo, multiplicando centenas ou milhares de vezes o tráfego e o armazenamento de dados hoje existente.

 

O uso de Nuvem é inevitável!

 

Para se ter uma ideia:

  • Um único Boeing 787 gera 40 Terabytes (TB) de dados por hora de voo[5]. Hoje metade disto é efetivamente transmitido para análise a armazenamento em data centers.
  • Uma loja de varejo grande gera aproximadamente 10 gigabytes (GB) de dados por hora[6]. Hoje em dia, 10% ou menos é transmitido para os data centers;
  • Uma fábrica tradicional gera aproximadamente 1 TB de dados por hora. Hoje em dia somente 5 gigabytes são transmitidos para um data center tradicional[7].

Na medida em que a capacidade dos data centers aumenta, mais e mais dados gerados localmente podem ser transmitidos. Os dados adicionais transmitidos ficam disponíveis para possíveis análises, estudos e validações de hipóteses econômicas e mercadológicas.

 

Dados de Consumidores cada vez mais na Nuvem

 

O crescimento da população usando internet somado ao número de pessoas usando “smartphones” trazem um crescimento sem precedentes de utilização da nuvem[8].

A nuvem se torna um “backup” de tudo o que é utilizado nos dispositivos mobile: contatos, armazenamento e troca de música, fotos e vídeos – que podem ser guardados e ou compartilhados sem custo ou com custos muito baixos.

Em 2018, 53% da população de internet estará usando armazenamento na nuvem, em serviços típicos como iCloud, Google Drive, OneDrive, Dropbox e Amazon Cloud Drive. Nada menos que 2 bilhões de pessoas, contra 900 milhões em 2013, um crescimento médio anual de 17%, segundo o relatório do Cisco Global Cloud Index, 2013-2018.

O fato é que nós, como consumidores, recebemos tantas ofertas dos provedores que acabamos nos sentindo um pouco perdidos ou até impotentes para fazer as melhores escolhas. Há provedores demais disputando nossos dados – mas isso deve ser esperado num mercado que naturalmente cresce 17% ao ano.

Os grandes provedores que também comercializam produtos, software ou “ativos digitais” como música, vídeos e livros (e aí incluem-se a Apple com o ICloud, o Google com o Google Drive, a Amazon com o Amazon Cloud Drive e a Microsoft com o OneDrive) perceberam muito cedo que as pessoas gostariam de acessar seus mesmos ativos digitais através de múltiplos dispositivos (seu fone celular, seu laptop, seu desktop, seu IPad e em breve seu relógio), sendo muito mais coerente guardar essa informação num único lugar na nuvem e passar a compartilhar esses dados em qualquer dispositivo. Esse é tecnicamente chamado de acesso ubíquo a conteúdo e aplicações: de qualquer lugar, através de qualquer dispositivo, fixo ou móvel.

Esses dados em nuvem que representavam 2 exabytes[9] em 2013 vão chegar a 19 exabytes em 2018, quase 10 vezes mais. As pessoas vão achar cada vez mais que acessar seus dados de qualquer dispositivo é normal – e isso impacta o desenho de muitas aplicações de empresas, que deverão prever interfaces adequadas em cada plataforma de acesso.

 

Consequências diretas para as empresas

 

O crescimento da captura e armazenamento de dados, de forma explosiva, está trazendo impactos para empresas de todos os segmentos de mercado.

A biblioteca do Congresso Americano é considerada a maior biblioteca do mundo – e possui milhares de obras raras. Foi digitalizada. Um terabyte é algo como um milhão de megabytes (com o que estamos acostumados, pois as unidades de disco de laptops e desktops hoje tem essa capacidade). Toda a biblioteca tem 15 terabytes, apenas 15 milhões de megabytes.

Em 2020, a quantidade de dados gerados e trafegados anualmente por pessoas, empresas, internet das coisas e etc. chegará a 44 zettabytes. Isso equivale a 3 bilhões de bibliotecas do tamanho da biblioteca do Congresso Americano. [10] Isso equivale ao número de estrelas conhecidas no universo.

Para as empresas isso significará que a quantidade de dados coletados crescerá, na prática, entre 40% a 60% ao ano –  todos os anos[11].

A decorrência básica: vai ficar muito complicado as empresas armazenarem e processarem de maneira efetiva essa enorme quantidade de dados. Ao menos usando métodos tradicionais. Em segundo lugar, o sucesso do negócio poderá depender de novas ferramentas e abordagens para conseguir armazenar, acessar e – o mais importante – utilizar esses dados de maneira eficaz, gerando informações que permitam refinar a condução do negócio e os processos de inovação de produtos e serviços.

 

Por onde começar?

 

O ditado diz que o caminho se faz ao caminhar. A nuvem permite que você comece com pequenos testes, com custos irrisórios. Com esses testes você “aprende a andar” antes de colocar qualquer sistema para rodar de fato. Sempre é possível começar “pequeno” e depois expandir gradativamente, dependendo das vantagens obtidas a cada novo passo. Planos complexos e mirabolantes para quem vai começar, em geral, frustra expectativas ou mesmo coloca em risco a operação de sistemas essenciais ao negócio.

Nos próximos capítulos veremos os 3 tipos essenciais de serviços em nuvem e recomendações de como começar a usá-los em sua empresa.

 

Referências

 

[1] Battle Of Cloud Titans Has Just Begun, Goldman Says – http://www.investors.com/news/technology/amazon-aws-leads-in-cloud-msft-googl-crm-rising/

[2] Cisco Global Cloud Index

[3] CAGR: taxa media de crescimento anual (“Compound Annual Growth Rate”). Ver http://www.investopedia.com/terms/c/cagr.asp

[4] Zettabyte: Um Zettabyte é uma unidade de informação ou memória que corresponde a 1.000.000.000.000.000.000.000 (1021) Bytes. Wikipedia.

[5] The Boeing 787 produces over 500GB of data during every flight – http://www.geek.com/news/the-boeing-787-produces-over-500gb-of-data-during-every-flight-1542105/

[6] A large retail store collects approximately 10 GB per hour – https://www.coursehero.com/file/p337vf6/A-large-retail-store-collects-approximately-10-gigabytes-GB-of-data-per-hour/

[7] Embracing Digital Trends—Leverage Data to Build Your Business – http://www.seagate.com/br/pt/tech-insights/embracing-digital-trends-master-ti

[8] Computerworld: By 2020, there will be 5,200 GB of data for every person on Earth – http://www.computerworld.com/article/2493701/data-center/by-2020–there-will-be-5-200-gb-of-data-for-every-person-on-earth.html

[9] Exabyte: Um exabyte é uma unidade de informação ou memória que corresponde a 1.000.000.000.000.000.000 (1018) Bytes. Wikipedia.

[10] A “Library of Congress” Worth of Data: It’s All In How You Define It: https://blogs.loc.gov/digitalpreservation/2012/04/a-library-of-congress-worth-of-data-its-all-in-how-you-define-it/

[11] Rethinking the enterprise data archive for big data analytics and regulatory compliance – http://rainstor.com/2013_new/wp-content/uploads/2014/11/WP_Gigaom_Rethinking_the_Enterprise_Data-Archive.pdf

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