Aplicações mobile para negócios são desafiadoras, em termos de concepção, desenvolvimento, manutenção e sustentação. A idéia deste artigo é falar de metodologia de desenvolvimento mobile para ampliar o volume de negócios das empresas, fazendo um paralelo com a vida das pessoas (a tecnologia imita a vida…). Se sua empresa ainda não está nesse caminho, “Mobilize-se”.

João e Maria querem se casar. E viver juntos, o mais longamente possível – ainda que num mundo mutante em que não há garantia de nada que seja absolutamente estável. Querem ter uma vida gostosa, confortável… quem não quer? Só que João e Maria, a despeito de terem teoricamente um objetivo comum, continuam vivendo suas vidas como viviam antes.

Então fica no ar a pergunta possível: como é possível mudar (qualquer coisa) se continuamos fazendo exatamente o que já fazíamos antes de querer mudar?

Também fica claro que a data do casamento e do “viver juntos” fica sendo adiada “sine die”. E que o casal vive infeliz porque as coisas não acontecem como gostariam. Sem se dar conta que o destino não desenha automaticamente os desejos que temos. Para a imensa maioria dos mortais, que não nasceram afortunados, o futuro é fruto de uma sucessão de ações concretas – e não de simples desejos. Não, não há, aqui, “magic wish”.

O que isso tem a ver com tecnologia?

Aparentemente nada, essencialmente tudo.

Qualquer sócio, dono de empresa, executivo de alto escalão, se inquirido, vai dizer que quer ficar casado com seus clientes, o maior tempo possível, gerando (sempre que possível) receitas recorrentes. Como no casamento, querem a fidelidade, a união como sua marca e seu negócio. Que esta seja a mais perene possível. Só que, como João e Maria, muitos empresários continuam reproduzindo ações e atitudes do passado. Como se elas, por si só, automaticamente, levassem à garantia desse nobre desejo.

João continua trabalhando no que trabalhava e tem o seu salário. Maria idem: trabalha no que trabalhava e garante o que ganhava. Os executivos da empresa continuam trabalhando de acordo com seus orçamentos e garantindo os seus resultados individuais. Cada um por si, Deus para todos. O casamento, no primeiro caso, e a empresa como um todo, no segundo caso, de fato adquiriram uma importância relativamente menor. Todos seguem seu curso. É incorreto? Não, claro que não. Alavanca os desejos futuros, as expectativas teoricamente comuns? Não, claro que não também  – ao menos na velocidade que seria desejável.

A internet, os e-mails, o mobile, os “whatsapps” nos dão uma falsa sensação de proximidade, talvez baseada na frequência de possíveis interações. Micromomentos de contato, diversas vezes mais frequentes do que no passado. O que poderia ser cada vez mais profundo se torna cada vez mais superficial. No caso de casais, tudo bem, eles vão se encontrar face a face de qualquer maneira. No caso de empresas e seus clientes, potencias ou efetivos, isso não é verdadeiro. Assim, neste caso, o que parece aproximar, chega a afastar – em virtude da não realização de expectativas nos dois lados, o da empresa e o dos clientes.

O fato, por outro lado, é que a tecnologia móvel ultrapassou todas as outras tecnologias nas interações sociais e empresariais. E as empresas têm 2 caminhos possíveis: não entender isso – e continuar promovendo relações superficiais e tênues, calcadas em promoções, descontos ou mera informação. Ou entender e redesenhar estratégias de proximidade e fidelização, baseadas na satisfação, cada vez maior, de seus clientes, qualquer que seja seu estágio.

NICE: antes de ser uma metodologia de desenvolvimento mobile para negócios, é uma metodologia de existência.

O deslocamento de uma situação de vida – ou de negócios – para outra situação, desejada por se imaginar que seja melhor, não importa, caracteriza uma jornada.

Definir uma jornada é definir com clareza, no mineirês, “on-cô-tô” para o “on-cô-vô”. Há sempre múltiplos caminhos possíveis para sair de uma situação “A” para se chegar a uma situação “B”, desejada. Todos caminhos demandam energia, trabalho. Se não existir energia, não há deslocamento para o que se deseja – e a força motriz da existência passa a ser puramente inercial. Vai-se para onde se estava indo. Mas não necessariamente para onde se quer chegar.

Um método de trabalho ajuda a manter o foco no que é desejado e a gastar menos energia para atingir resultados desejados. A metodologia NICE, criada e usada pela Opus Software para seus projetos de aplicativos móveis, é um desses métodos – e pode ser aplicado a objetivos de vida ou a objetivos de negócios. Essencialmente não há muita diferença. A tecnologia imita a vida.

A NICE tem 4 fases de desenvolvimento, Negócios, Ideação, Construção e Evolução.

Negócios

João e Maria tem que se sentar e conversar. Alinhar suas expectativas, em função de sua realidade atual. E ajustar as expectativas para o futuro, ao menos num determinado prazo. Fazer um alinhamento “geral e irrestrito”. Qual a ideia que cada um tem sobre constituir uma família? Querem ter filhos no futuro (mesmo que não tão próximo)? Qual a configuração inicial? Comprar uma moradia está ao alcance? Ou dá para começar em um imóvel alugado? Vão fazer uma festa de casamento? Onde passarão a lua de mel? E, depois de começar a vida em comum, quais serão os objetivos a serem conquistados? Quais as prioridades? Será possível definir um “índice geral de felicidade” para aferir se o casal está indo na direção de conquistar seus sonhos? E ainda, que tal deixar um espaço para ajustes nesse planejamento, considerando o aprendizado que a jornada certamente irá proporcionar?

MVP - Minimum Viable Product - Mobile para negócios - metodologia NICE - Opus SoftwareNa empresa não é diferente. Quando se fala em utilizar a tecnologia móvel para engajar clientes atuais e futuros, como alinhar as expectativas e objetivos das áreas de negócio para que a iniciativa seja bem sucedida? É fundamental identificar as oportunidades, definir os objetivos de negócio da iniciativa e definir indicadores claros que permitam aferir se esses objetivos estão sendo atingidos ou se será necessário repensar a estratégia. Além disso, como a variável tempo é determinante para qualquer planejamento, e admite-se a existência da racionalidade limitada e da incerteza, é importante aceitar que a jornada trará aprendizados valiosos. Dessa maneira, a definição de um Minimum Viable Product (MVP) como ponto de partida permitirá ir ao mercado mais rapidamente, acelerando o aprendizado e ajustando a estratégia que norteará os próximos passos.

Ideação

Em termos muito elementares, a ideação leva da ideia à ação.

João e Maria param de reclamar da vida – e partem para o desenho de uma vida comum que seja verossímil e compatível com suas realidades pessoais. Se João ganha A e Maria ganha B, viver juntos mantendo-se esse padrão de ganhos significa aceitar um padrão de vida que caiba no orçamento A+B. Dado que as expectativas já estão traçadas e que o cenário inicial está definido, é hora de planejar os passos para construir aquele cenário. Onde será o casamento? Onde será a festa? Onde será a lua de mel? Quais os custos envolvidos? Há reservas financeiras para realizar tudo isso, ou será necessário juntar dinheiro antes? Por quanto tempo? Qual o papel esperado por cada um para que seja possível concretizar o planejamento? Também serão escolhidos os itens específicos da jornada: vestido de noiva, salão de festas, roteiro de viagem, moradia, etc.

Ideação - Mobile para negócios - metodologia NICE - Opus Software No lado da empresa, a ideação é a fase em que se planeja a ação, definindo-se as responsabilidades de cada participante e patrocinador da iniciativa. São realizados os estudos de cada item funcional definido no MVP, ergonomia, usabilidade e criação de um protótipo de alta resolução que permitirá a todos os envolvidos entender exatamente o que será construído. Também serão tomadas decisões de engenharia importantes: tecnologias a serem utilizadas para construir o aplicativo, fontes de dados para obter as informações necessárias para implementar o programa de engajamento dos clientes, forma de interação da solução mobile com os sistemas corporativos existentes, ferramentas de apoio…

Construção

A construção permite ir além do protótipo da solução.

João e Maria já se decidiram pela melhor alternativa para começar uma vida a dois diante das perspectivas comuns que têm. Agora, é hora de por a mão na massa e dar os passos necessários para concretizar seus sonhos imediatos. Contratar o salão de festas, comprar o vestido de noiva, encomendar a viagem e, finalmente, começar a jornada a dois em direção aos sonhos de mais longo prazo. Tendo em mente que o passo inicial, mesmo que ainda longe do que eles consideram o ideal, dá sustentação para que possam continuar crescendo, agora juntos, em busca da almejada felicidade.

Construção - Mobile para negócios - metodologia NICE - Opus SoftwareNa empresa, a etapa de construção do aplicativo móvel é a que materializa o protótipo de alta resolução. Aqui entra muita engenharia de software. É preciso ter experiência e conhecimento para fazer as melhores escolhas tecnológicas, e para implementar a mesma experiência de usuário (UX) em todas plataformas. Além disso, o ideal é empregar técnicas de desenvolvimento ágil para permitir que, mesmo durante essa etapa, o aprendizado obtido durante o próprio processo de construção e eventuais alterações advindas de mudanças no cenário de negócios ocorridas durante esse período possam incorporadas à solução final.

Ao mesmo tempo, dado que as etapas de Negócios e Ideação traçaram uma visão clara dos objetivos de longo prazo, o produto final da etapa de construção deve ser estruturado para permitir uma evolução contínua, acomodando novas funcionalidades à medida que o negócio evolui, sem abrir mão do objetivo inicial: chegar ao mercado no tempo certo, com o produto certo, do jeito certo.

Evolução

João e Maria estão vivendo juntos. Já realizaram parte de seus sonhos., dentro da jornada (de vida) desenhada inicialmente. Se as expectativas e metas de seu plano de vida são elevados, terão de continuamente investigar novas oportunidades de trabalho, opções de investimento de economias, etc., ajustando continuamente seu padrão de vida.

Evolução - Mobile para negócios - metodologia NICE - Opus SoftwareNo caso de aplicativos móveis (veja Estatísticas de Uso de Celular no Brasil), a maior parte é usada apenas uma ou duas vezes e, depois, é removida do smartphone pelo usuário para dar espaço a novos aplicativos. Seja porque não é verdadeiramente útil, seja porque apresenta problemas técnicos ou ainda porque tem uma interface complicada e pouco intuitiva para a sua utilização. Por isso, ainda na fase de construção, é necessário incluir componentes de software que gerem informações sobre a efetiva utilização do aplicativo quando colocado no mercado (veja Aplicativos Móveis Precisam de um Plano de Engajamento). Não se trata de captar dados individuais dos usuários, invadindo sua privacidade, e sim registrar informações anônimas sobre quais as funcionalidades mais utilizadas, quanto tempo o usuário dedica a cada tarefa e várias outras informações úteis para uma análise de uso posterior (o que vale também para detectar possíveis falhas do aplicativo em alguns dos milhares de diferentes modelos de dispositivos móveis).

Assim, após o lançamento inicial, é possível liberar novas versões do aplicativo, contendo possíveis correções, melhorias de navegabilidade e usabilidade e funcionalidades adicionais que possam gradativamente aumentar o volume de negócios e de interações que os usuários podem ter com a empresa em seus micromomentos de mobilidade (veja nosso artigo Micromomentos ou Momentos de Mobilidade: A Nova Corrida do Ouro?).

Concluindo: Mobilize-se!

Hoje, não importa onde você vá, verá pessoas consultando a todo momento seus dispositivos móveis, celulares ou tablets. Parece até que a vida se tornou uma sucessão de micromomentos de mobilidade. Do ponto de vista empresarial não é possível ignorar este fato – e daí veio a brincadeira do trocadilho do título: mobilize-se.

Participar deste novo mundo mobile é muito mais do que tornar seu website compatível para consulta em celulares. Vai muito além de disponibilizar catálogos de produtos, serviços – ou mesmo promoções periódicas. Se você imaginar um dispositivo móvel como uma gôndola de supermercado, que tem espaço limitado, este espaço é hoje disputado por milhões de aplicações. Por quê o dono do dispositivo móvel manteria sua aplicação nesta gôndola?

Por isso tudo o desenvolvimento de aplicativos celulares é uma questão séria, que envolve desde o alinhamento da equipe de negócios, o entendimento dos momentos de mobilidade dos consumidores e de suas expectativas em relação à sua empresa e suas ofertas, o desenho de uma aplicação “aberta” para crescer, evoluir e que forneça dados para orientar as ações do plano de engajamento.

Muitas vezes isso pode implicar na reformatação do próprio negócio, no redesenho dos produtos e serviços oferecidos, para um cliente que hoje quer tudo disponível a qualquer tempo. E trabalhar com desenvolvedores que, a exemplo da Opus Software, estejam orientados a usar as melhorias tecnologias possíveis considerando, acima de tudo, o planejamento de negócios, os prazos necessários e os orçamentos disponíveis, fazendo o melhor balanceamento possível de tecnologia com objetivos de negócios. Em outras palavras, criando soluções móveis que cativam clientes e ampliam oportunidades de negócio.

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Consulte as fases do modelo de desenvolvimento NICE:

Negócios

Ideação

Construção

Evolução

 

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