A  nuvem é a materialização de um sonho antigo. O que há 50 anos parecia revolucionário – e até hoje nos surpreende – hoje é o propulsor de um ciclo de crescimento.

O mercado de tecnologia da informação continua em plena expansão e atraindo recursos: em 2012, o investimento no setor deve subir 12% na América Latina, segundo estudo do IDC. Isso significa uma movimentação de mais de US$ 97 bilhões. Os benefícios desse movimento são transversais, pois afetam praticamente todos os segmentos.

Um exemplo marcante de como essa influência ocorre está no ciclo virtuoso criado pelo fenômeno do cloud computing. A computação em nuvem, pela qual é possível armazenar compartilhar e sincronizar dados de forma remota, transformou as relações de consumo da informática, está estimulando o crescimento de empresas menores e, mais do que isso, abrindo espaço para novos negócios antes totalmente inviáveis.

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Até poucos anos atrás, a capacidade da TI de uma empresa era ditada pelo tamanho e modernidade do equipamento que ela tinha em suas instalações. Aumentar a capacidade significava comprar servidores com mais memória, e cada compra precisava contemplar uma margem de crescimento – já antevendo um aumento da demanda, pagava-se antecipadamente por ela.

Esse modelo excluía algo que atualmente é fundamental: a demanda é flutuante e pode subir ou descer muito em um curto espaço de tempo, principalmente no caso de setores que lidam com o grande público. O sistema de uma marca varejista, por exemplo, pode ter seu número de acessos multiplicado repentinamente caso a empresa anuncie uma promoção relâmpago e, no dia seguinte, voltar à operação normal.

Além disso, o acesso das pessoas à internet, a presença massiva nas redes sociais e a popularização dos dispositivos móveis (tablet, smartphone) está fazendo com que a demanda por espaço aumente muito. Tanta gente acessando dados de diversos lugares de forma ininterrupta e os sincronizando entre diferentes dispositivos gera uma demanda imprevisível.

Causa e consequência

Ao mesmo tempo em que ajudou a estimular esse fenômeno, a computação em nuvem surgiu como resposta para essa nova realidade. Os adeptos do cloud computing não precisam mais comprar grandes servidores nem aumentar suas capacidades de armazenamento em grandes blocos. Pagam pelo uso mensal. Assim como fariam com uma conta de luz, água ou gás.

Apesar de ser algo novo especialmente na importância que tem alcançado, a nuvem é a materialização de um sonho antigo das empresas de tecnologia. Na década de 1960, o projeto Multics (Multiplexed Information and Computing Service) era liderado pelo MIT em conjunto com o Bell Labs e a GE, organizações que detinham alguns dos principais centros privados de pesquisa do mundo. O objetivo era criar alta acessibilidade para a informática, transformando a computação em facility: assim como serviços telefônicos e elétricos, seria possível ter acesso a espaços computacionais flexíveis.

O que há 50 anos parecia revolucionário – e até hoje nos surpreende – hoje é o propulsor de um ciclo de crescimento

À medida em que migrar para a nuvem se mostrou interessante para as grandes empresas, os data centers começaram a crescer e a oferecer serviços menos caros. A computação em nuvem está popularizando a capacidade computacional e atualmente isso é acessível para empresas de todos os portes.

Mesmo sendo um movimento positivo, diversas empresas têm se visto em uma posição não muito confortável: sabem das oportunidades de negócio que a nuvem traz, mas veem na mudança uma migração complexa. Elas podem ter razão. Chegar até a nuvem não significa fazer uma mera cópia e transposição dos sistemas. Trata-se de repensar toda a sua arquitetura e lógica, o que não necessariamente acarreta mudanças radicais.

Para uma ilustração simples do que isso significa, basta pensar, por exemplo, que na estrutura fixa a ordem é evitar a repetição para economizar espaço. Na nuvem, ao contrário, a repetição pode ser bem vinda, já que pode resultar em um ganho de agilidade e que o espaço não é mais um limitador. São questões operacionais, mas que influenciam diretamente na eficiência da empresa.

A migração realmente exige cuidados, mas é possível fazer essa transição de forma segura. Migrar para a nuvem implica uma mudança de paradigma, e essa mudança já está acontecendo independentemente da vontade das empresas. O conjunto de novas possibilidades que essa nova tendência abre para o mundo dos negócios é proporcional à amplitude da transformação por que passa a tecnologia da informação.

Artigo de Alexandre Barbosa e Walter Ruiz Jr, publicado no Estadão (Caderno de Negócios), em 12 de novembro de 2012

 

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