O que é Computação em Nuvem? E o que não é? Conheça as visões técnica e estratégica, e avalie a melhor estratégia para adotar a nuvem na sua empresa.

 

Este artigo refere-se ao Capítulo 1 do livro “Computação em Nuvem para Gestores de Negócios”

Desde o advento da internet, surgiram vários fornecedores que passaram a oferecer serviços de hospedagem. Criaram data centers que absorveram parte expressiva do parque de equipamentos que antes ficava dentro das empresas. Mas isso não é Computação em Nuvem.

Mesmo assim, e até que o conceito ficasse mais claro, a Computação em Nuvem foi caracterizada de maneira muito abrangente, incluindo toda e qualquer forma de virtualização de servidores, sendo uma espécie de terceirização de infraestrutura computacional. O que fazia é a pura virtualização de equipamentos que rodavam no data center próprio da empresa, disponibilizando websites ou aplicações que podiam ser acessadas 24 x 7 através da WEB.

Essa visão genérica não caracterizava de maneira clara o que era Nuvem e menos ainda permitia visualizar seu modelo de funcionamento, que tem atributos e benefícios específicos. No entanto, à medida que as soluções oferecidas pelo mercado foram se consolidando, surgiram definições que caracterizam de maneira precisa o conceito de Computação em Nuvem.

 

Computação em Nuvem: Duas visões

 

Visão Técnica

Tecnicamente, o conceito hoje sacramentado é que Computação em Nuvem é um modelo que permite acesso ubíquo, conveniente e sob demanda, via rede, para um conjunto compartilhado de recursos computacionais configuráveis (por exemplo, redes, servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que podem ser alocados e liberados rapidamente com o mínimo esforço de gerenciamento ou interação com o provedor de serviços.

 

Visão estratégica

Numa outra linguagem, menos técnica, a computação em nuvem foi uma grande sacada dos provedores que estavam puramente alugando máquinas com acesso à internet. A visão dos provedores era de um para um: uma máquina está associada a um único cliente, quando se alugava um servidor. Ou um para n: uma máquina, isoladamente, atendia um conjunto de clientes, quando se alugava um servidor compartilhado (cujo aluguel sempre foi significativamente mais baixo).

No caso um para um, se a máquina era pouco usada, o aluguel era pago do mesmo jeito. E os recursos computacionais não usados viravam puro desperdício para a empresa que alugava. Se o servidor era muito usado, era necessário migrar para uma máquina mais possante ou alugar servidores adicionais. O trabalho de interligar esses servidores adicionais ficava por conta da empresa contratante, complicando muito a vida do pessoal de TI, que precisava distribuir e balancear as aplicações nos diferentes servidores. Um trabalho que não é simples nem elementar, mas que era necessário para manter uma carga equilibrada de serviços em cada uma das máquinas, evitando que um ou mais servidores ficassem sobrecarregados e outros com muita ociosidade.

No caso um para n, como o servidor estava sendo compartilhado com muitas empresas, virava uma loteria saber o que iria acontecer com cada máquina, que recebia diferentes aplicações de diferentes clientes, com diferentes demandas. Se uma única aplicação utilizasse 90% dos recursos do servidor (CPU e memória), num determinado momento, todas as demais empresas contavam com apenas 10% dos recursos residuais. Esse modelo 1 para n, vigente até hoje, é barato e atende bem a pequenas empresas, com pequenos sites e páginas que essencialmente são estáticas ou que fazem uso de bases de dados pequenas.

Se o provedor pegasse um helicóptero e olhasse seu parque de máquinas no conjunto, numa visão “de cima”, veria que grande parte delas estava ociosa boa parte do tempo e poucas máquinas estavam utilizando seus recursos computacionais no limite. Ou seja, no conjunto, havia muito desperdício de recursos, exceto talvez nos servidores compartidos por centenas de clientes ao mesmo tempo.

 

O pulo do gato (dos provedores…)

 

O pulo do gato aconteceu quando os provedores começaram a imaginar: “e se mudássemos o modelo de oferta de nossos serviços para n para n”?

Ou seja, e se fosse possível juntar os recursos computacionais de todas as máquinas e oferecer para todos os clientes? Se isso fosse possível, o provedor poderia vender mais serviços com as mesmas máquinas. Vendendo mais serviços, para mais clientes, com os mesmos recursos de infraestrutura, seria possível vender mais barato. Vendendo mais barato seria possível vender para um maior número de clientes. O negócio ficaria mais rentável e os investimentos retornariam mais cedo. Tudo de bom. Bom para o provedor, com ROIs acelerados. Bom para os clientes, com serviços mais poderosos, confiáveis e baratos.

Para isso acontecer – além de drásticas mudanças internas, nos provedores, para interligar todas as máquinas como se fossem uma só – era preciso mudar o modelo mental de vendas: no lugar de alugar máquinas físicas (ou pedaços de máquinas físicas isoladas, chamadas de servidores virtuais), o que seria alugado era o acesso “ao conjunto de máquinas”. Quanto cada cliente pagaria? Não mais um valor fixo, mensal, a título de aluguel – e sim um valor variável, pelo uso efetivo de uma fração do conjunto de máquinas. Bom para os clientes de novo, que transformariam despesas de aluguel fixas em custos variáveis. Ou seja, no novo modelo, a forma de pagamento seria “pay per use”.

Inicialmente, poucas empresas conseguiram colocar em prática essa visão, pois as mudanças tecnológicas internas eram muito amplas. Hoje esse é um modelo consolidado e conta com diversos provedores, que são “big players”. Pequenos provedores não têm como implantar computação em nuvem de fato, pois essa é uma atividade de capital intensivo, altos investimentos – e vão continuar a alugar servidores e pedaços de servidores, as vezes até caracterizando-os como “nuvem”, fazendo uma propaganda enganosa. Se lhe oferecerem um serviço de servidores em nuvem com um aluguel fixo mensal, desconfie.

Por outro lado, é muito interessante como os provedores de nuvem imaginaram mudar o modelo de vendas. Como dizer ao mercado “compre um pedaço da minha capacidade de guardar e processar dados” ou “compre um pouquinho dos meus espaços em disco, processadores e memórias” e só pague quando usar? Muita mudança mental na ponta dos clientes, acostumados a alugar máquinas físicas, compartilhadas ou não. Uma vez implantada uma capacidade, ela está lá e tem todos seus custos, quer seja ou não utilizada.

Seria preciso estimular a demanda no novo modelo de vendas. Os provedores começaram a oferecer “máquinas virtuais na nuvem”. Passaram a dar acesso a um painel de controle onde você, como cliente, podia instalar quantas máquinas quisesse, com a capacidade que bem entendesse, com o sistema operacional de sua preferência. Ao entrar no painel você já encontrava máquinas previamente configuradas e, como se estivesse num supermercado, bastava colocar no seu carrinho as máquinas desejadas, que já vinham prontinhas para uso. Com uma grande vantagem adicional: ao passar no caixa, não era preciso pagar absolutamente nada.

O custo marginal para o provedor é zero, pois as máquinas virtuais são criadas em máquinas físicas que já estão lá. E o cliente só começa a pagar quando começa a usar as máquinas, de fato. Pode ligar e desligar as máquinas quando bem entender. Pode aumentar ou diminuir suas capacidades. Paga quando usa e pela quantidade de uso. Isso, em si, já foi uma pequena revolução.

Só que os provedores não pararam por aí. Os serviços oferecidos se sofisticaram. E se você escolheu uma máquina que de repente ficou lotada de serviços? Não tem problema: no seu painel de controle você pode “autorizar” que automaticamente seja feita a alocação de novos servidores. Através de regras 100% definidas por você, usuário. Algo como: “aloque um novo servidor sempre que o conjunto atual de servidores atingir 80% de sua capacidade máxima de processamento”. Ou aloque mais “x” servidores no horário da madrugada, que é quando vou fazer os grandes processamentos da empresa (um banco, por exemplo, que consolida as operações realizadas no dia anterior).

 

É estratégico para sua empresa adotar a computação em nuvem?

 

Veremos mais adiante que a Computação em Nuvem traz 3 grandes possibilidades para as empresas:

  • Redução de custos e despesas;
  • Agilidade: é possível mudar rapidamente – até automaticamente – o poder de processamento, sem qualquer investimento marginal. Não é preciso empatar capital para atender picos de sazonalidade de vendas, promoções e lançamentos;
  • Mais foco no negócio: área de TI mais envolvida com as áreas de negócio (e menos com a sustentação das operações), capital investido mais orientado ao desenvolvimento de novos produtos e serviços (e menos para as infraestruturas de suporte digital).

A questão fundamental não é se sua empresa deve ou não adotar Computação em Nuvem. A verdadeira questão é: se todos os seus principais concorrentes adotarem Computação em Nuvem, reduzindo seus custos (e preços de mercado), tornando-se mais ágeis e velozes (no lançamento de novos produtos e serviços) …. Qual o impacto que isso poderá ter sobre o seu negócio?

Se sua empresa comercializa produtos para nichos, para um volume muito pequeno de clientes, as entregas de serviços não são via WEB… Computação em Nuvem pode não fazer a menor diferença. Por outro lado, se você comercializa produtos em massa, que se aproximam de commodities, para um grande volume de clientes, Computação em Nuvem pode trazer um grande impacto nos seus negócios.

É preciso fazer essa reflexão hoje e, de certa forma, dosar a velocidade de adoção da Computação em Nuvem com base no tipo e grau de ameaça estratégica que seu negócio tem. E também de acordo com o grau de importância que as soluções digitais impactam seus custos e, indiretamente, seus preços de venda. Se a componente digital é ínfima (ou não permite diferenciar seu negócio), não há porque ter pressa. Se o contrário acontece (ou pode vir a acontecer), é melhor revisar os planos de TI rapidamente.

O que é Computação em Nuvem

Ebook Computação em Nuvem para Gestores de Negócios - Índice
Recursos mais importantes da Computação em Nuvem

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