Em 2014, em dois momentos Google e AWS brigaram para baixar o custo de serviços de IaaS. Afinal, aonde essa briga por preço vai nos levar?

A disputa por preço entre os grandes fornecedores de computação em nuvem está desafiando a posição de liderança ocupada pela AWS. Em 2014, em dois momentos o Google provocou e a AWS reagiu, numa disputa pelo menor preço de recursos de infraestrutura como serviço (IaaS).  Mas será que isso faz diferença para o cliente? Afinal, aonde essa briga por preço vai nos levar?

Google e AWS: primeiro round

Em março de 2014 o Google divulgou a notícia sobre a redução de preços de alguns produtos de infraestrutura como serviço (IaaS):

  • Compute Engine, para criação de instâncias de máquinas virtuais;
  • Cloud Storage, para armazenamento de dados;
  • BigQuery, banco de dados voltado para big data.

Além disso, simplificou a cobrança do App Engine, sua plataforma como serviço (PaaS) voltada para o desenvolvimento de aplicações.

Mas a grande novidade foi o anúncio de uma alternativa mais simples de cobrança, com descontos para uso continuado de instâncias sob demanda, o que favorece os usuários que usam as máquinas por períodos mais longos.

O Google também declarou sua intenção de fazer valer a Lei de Moore no cenário da computação em nuvem: o custo do hardware virtualizado deve cair acompanhando o custo do hardware físico, que é utilizado nas instalações dos provedores.

Após essa mudança, uma comparação entre os preços de máquinas virtuais do Google e da AWS mostrou que os valores do Google ficaram melhores em quase todos os cenários:

Instâncias sob demanda: Google X AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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100% de uso continuado do Google X 1 ano de instância reservada da AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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100% de uso continuado do Google X 3 anos de instância reservada da AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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Pois bem, já no dia seguinte ao anúncio do Google, a AWS também anunciou redução de preços. Eles igualaram o valor das instâncias sob demanda para uso geral, e houve mudança também em outras categorias:

 Instâncias sob demanda: Google X AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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100% de uso continuado do Google X um ano de instância reservada da AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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100% de uso continuado do Google X três anos de instância reservada da AWS

Google AWS
Uso geral

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Alto uso de memória

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Alto uso de CPU

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Google e AWS: segundo round

Em junho de 2014 o Google fez outro movimento visando concorrência direta com a Amazon, ao lançar dois novos serviços: HTTP load balancing e armazenamento persistente em disco SSD.

O HTTP Load Balancing é um serviço que distribui o tráfego da aplicação entre diversas instâncias, de forma a torná-lo mais equilibrado. Esse serviço já era oferecido pela Amazon, e nesse caso não houve confronto, já que a oferta do Google não trouxe novidade em relação ao que já existia. A movimentação toda ficou em torno do disco SSD.

Qual a vantagem do SSD? Ele é muito mais rápido, por isso é ideal para aplicações com grande volume de operações de Entrada/Saída por segundo (IOPS).

E a AWS, não tinha SSD? Sim, tinha. A AWS já oferecia dois serviços de armazenamento persistente:

  • EBS, baseado em disco padrão;
  • EBS com IOPS provisionado, baseado em disco SSD.

Então, qual a vantagem do SSD do Google em relação ao da AWS? O serviço da AWS é provisionado, ou seja, o cliente provisiona um volume de E/S por mês, e se ultrapassar esse limite, paga uma taxa adicional. Foi nesse ponto que a oferta do Google se diferenciou: seu SSD tem preço fixo, sem cobrança de tarifa adicional sobre E/S além do provisionado. Novamente, a disputa foi baseada em preço.

E a AWS, não fez nada? Fez sim. No dia seguinte, respondeu à provocação do Google lançando mais uma opção de EBS, baseada em SSD e com cobrança igual à do concorrente, ou seja, sem provisionamento e sem tarifação adicional. Resumindo, veja como era e como ficou:

Antes
GoogleDisco padrão
AWSDisco padrãoDisco com E/S provisionado (SSD)

 

Depois
GoogleDisco padrãoSSD de uso geral
AWSDisco padrãoDisco com E/S provisionado (SSD)

SSD de uso geral

 

 Aonde vamos chegar com essa disputa?

No cenário atual, cada provedor de computação em nuvem está tentando garantir que nenhum usuário vai migrar para outro provedor apenas por causa de recursos que um tem e o outro não.

Para o usuário que está decidindo que nuvem vai usar, os recursos fundamentais de infraestrutura como serviço (IaaS) tendem a ser muito equivalentes. Alguns fornecedores dão alguma pequena vantagem para um perfil de aplicação, outros oferecem outra pequena vantagem para outro perfil de aplicação. Mas isso não tende a ser decisivo.

Ou seja, quando se fala em infraestrutura como serviço, a tendência é que esses grandes provedores sejam como uma usina hidrelétrica, não faz diferença qual é o seu fornecedor. Eles oferecem um poder de processamento muito semelhante, e que é comprado em volume.

A diferenciação entre eles se dá num nível mais acima, em recursos que caracterizam uma plataforma como serviço (PaaS).

A Microsoft e o Google oferecem de forma bem definida uma plataforma como serviço para o desenvolvimento de aplicações, que são o Microsoft Azure Cloud Services e o Google App Engine.

A AWS não tem uma plataforma tão bem definida, embora ofereça serviços que podem ser considerados típicos de uma plataforma como serviço. É o caso do Elastic Beanstalk, do Big Data, do AppStream. São recursos interessantes para um nicho específico de aplicações.

Se na infraestrutura como serviço (IaaS) existe a tendência de não haver grande diferenciação entre fornecedores, o panorama muda quando se trata de plataforma como serviço (PaaS). Nessa briga não entram só os grandes. Mas a concorrência entre as plataformas como serviço é assunto para outro post.

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