O preço da computação em nuvem tem baixado, porém ainda não chegou ao limite mínimo. Como os fornecedores vão se posicionar e como o mercado vai se moldar?

O preço da computação em nuvem é um assunto que certamente está no foco de atenção daqueles que estão planejando a migração para essa plataforma, e as dúvidas que surgem são muitas. Afinal, do ponto de vista de custos, vale a pena migrar da infraestrutura local para a nuvem pública?

A migração não é apenas uma questão de reproduzir a infraestrutura local no novo ambiente.  Os provedores oferecem diversos recursos e múltiplas configurações, e saber usar bem esses recursos pode fazer toda a diferença na hora de pagar a conta.

Em 2010, a Microsoft publicou uma análise econômica que demonstrava que existe uma economia de escala em favor da nuvem pública, e essa escala gera uma redução de preços que é vantajosa tanto para os fornecedores quanto para os usuários. Em 2014, pelo menos em dois momentos houve um embate direto entre Google e Amazon, que disputaram para ver quem derrubava mais os preços.

Diante de todo esse movimento, podemos nos perguntar quais as consequências dessa redução e disputa de preços. Afinal, quanto o preço da computação em nuvem ainda pode baixar?

Nuvem Pública X Nuvem Privada

Um interessante artigo de Bernard Golden compara nuvem pública e privada para avaliar qual solução é mais vantajosa, considerando os investimentos necessários em:

  • Infraestrutura de hardware, que são os recursos computacionais e também as instalações físicas;
  • Infraestrutura de software, que é o software necessário para gerenciar, automatizar e coordenar a grande estrutura de serviços;
  • Largura de banda de internet;
  • Energia elétrica necessária para manter a infraestrutura;
  • Funcionários capacitados para criar e manter tudo funcionando;
  • Custo do capital de investimento.

Segundo Golden, entre as duas soluções o provedor de nuvem pública é mais vantajoso em todos esses itens. Essa comparação precisa ser feita com critério; afinal, muitas empresas sequer conseguem saber os detalhes sobre o custo real de sua instalação privada, uma vez que os orçamentos estão distribuídos por diversos departamentos e dificilmente se pode calcular com precisão quanto se paga por recursos específicos, como por exemplo, a hora de processamento em um servidor.

Apesar da briga pela redução de preços, as empresas ainda não chegaram até o limite mínimo, e à medida que o preço do hardware diminuir, os preços dos serviços de nuvem também poderão diminuir. Os provedores de nuvem pública podem usar algumas regras para estabelecer o preço dos seus serviços: definição de preços baseada no custo marginal; aumento do uso dos recursos para reduzir o custo fixo; e o uso estratégico da redução de preços para deixar claro para os concorrentes que este é um mercado altamente competitivo, e quem não estiver preparado para um investimento pesado é melhor nem entrar no jogo.

Dessa forma, em uma primeira leitura, a tendência de mercado é que o aluguel de capacidade computacional e de armazenamento de dados na nuvem se torne uma commodity. Isso equivale a dizer que o lucro econômico dessa atividade tende a zero. Posto de forma simples, lucro econômico zero significa que o capital investido será remunerado às mesmas taxas de outros investimentos financeiros do mercado.

Limite mínimo do preço ainda não chegou

Este é um momento de grande concorrência entre os provedores, que vai definir como essa cadeia vai funcionar. Considere como funciona o mercado dos grandes fornecedores de software. A Microsoft, por exemplo, ganha no volume do licenciamento. Entretanto, quem realiza a “última milha”, que garante que seu software será bem utilizado e que novas soluções serão concebidas a partir de sua plataforma, é sua enorme rede de parceiros, que agregam valor à oferta da Microsoft através de serviços especializados.

De maneira análoga, parece que o mesmo está acontecendo com a computação em nuvem, ou seja, os grandes fornecedores ganham no volume e os parceiros ganham nos serviços especializados.

A guerra de preços está naturalmente se intensificando e selecionando aqueles que vão poder jogar nesse mercado, que é de capital intensivo. Esse processo definirá aqueles que atuarão em grande escala e aqueles que atuarão em nichos. Os que atuarem em menor escala vão atender a segmentos específicos, vão se especializar cada vez mais em serviços voltados para determinada categoria de clientes. Ou seja, este é o momento em que o mercado está sendo moldado.

Para o usuário, essa disputa mostra que a queda nos preços da computação em nuvem continuará acontecendo até chegar ao limite mínimo que os grandes provedores podem sustentar. Embora ainda não se tenha chegado a esse limite, as coisas estão caminhando nessa direção.

A pergunta que fica é se esse mercado continuará sendo sempre competitivo, como agora, ou se rumará para uma espécie de oligopólio: quando a consolidação do mercado estiver concretizada e boa parte das empresas já tiver adotado a computação em nuvem, os fornecedores podem começar a praticar preços menos atraentes. Entretanto, o mercado de computação em nuvem está apenas na sua infância. O mais provável é que, nesse momento, os competidores estejam apenas tentando garantir que continuarão no jogo no futuro e construindo uma base sólida de clientes, que permita explorar novas possibilidades que certamente surgirão para a oferta de serviços com margens maiores.

(Imagem: cortesia de Vichaya Kiatying-Angsulee at FreeDigitalPhotos.net)

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