A redução de custos da Computação em Nuvem depende de vários fatores, como custos internos, custos de oportunidade e custos de atraso.

 

Esteartigo refere-se ao Capítulo 7 do livro “Computação em Nuvem para Gestores de Negócios”

Um dos maiores motivadores para a adoção de computação em nuvem tem sido a questão de custos que, dependo do projeto e dos serviços realizados, podem ter uma redução bastante significativa se comparados a custos de soluções locais da empresa (software próprio mais infraestrutura necessária) ou ao pagamento de licenças de uso de softwares de terceiros.

Paradoxalmente, este também tem sido um dos fortes motivos para explicar a não adoção pois, feitas as contas, várias empresas acabam concluindo que os riscos e o trabalho associados à migração são maiores que os benefícios de custos potenciais.

 

Redução de custos potencialmente decrescentes

 

A verdade é que, comparando os 3 modelos básicos de serviços em nuvem, o potencial de redução de custos cai quando se vai de IaaS para PaaS e depois de PaaS para SaaS.

Ou seja, comprar um serviço SaaS é relativamente mais caro que comprar um serviço PaaS. Comprar um serviço PaaS é relativamente mais caro que comprar um serviço IaaS.

E o volume de trabalho que fica para a empresa, sua equipe de TI, cresce na direção oposta. Serviços de SaaS requerem pouco trabalho. O esforço das equipes interna aumenta com serviços PaaS. E aumenta muito mais com serviços IaaS.

Isso torna bastante complexa a simples comparação entre os serviços típicos de nuvem e os ganhos que é possível obter.

 

A equação ideal

 

O ideal é que a soma dos custos internos (com o projeto implantado), adicionados os custos dos provedores, seja menor que os custos atuais da empresa.

O grande problema reside em conseguir dimensionar corretamente os tais “custos atuais” e “custos residuais” internos.

Imaginando uma questão muito simples, para exemplificar: um único servidor local versus o mesmo servidor rodando em ambiente de nuvem.

Se você considerar que o servidor local foi comprado há algum tempo e foi pago, obviamente a solução local é mais barata que a solução nuvem, que vai gerar despesas mensais.

Se você considerar os custos de depreciação e de manutenção do servidor local, poderá chegar à conclusão inversa.

Nas comparações, portanto, há que se tomar muito cuidado para comparar com justiça os custos internos com os custos externos. O cuidado que precisa ser tomado é que essas comparações não podem ser simplificadas dessa forma.

 

Custos internos: considerar Custos totais e não custos parciais

 

Em primeiro lugar, os custos do data center local também envolvem energia, refrigeração de todos os ativos (servidores, armazenagem, rede etc.). Temos que considerar, além de depreciação e manutenção, uma fração desses custos de infraestrutura para o nosso “servidor de exemplo”, por algum critério de rateio, qualquer que seja.

Em segundo lugar, computadores, redes e infraestrutura não funcionam por si sós: é preciso de gente para operar os equipamentos. Gente envolve, além de salários, benefícios e bônus, espaço de trabalho (despesas de aluguel, segurança, vigilância, impostos prediais etc.). Uma parte desse custo deve ser rateado para o nosso “servidor de comparação”.

Gente, por sua vez, tem que ser gerenciada: não podemos considerar somente o espaço e o salário de quem opera diretamente as máquinas. Esse gerenciamento consome tempos diferentes de diversos níveis hierárquicos: por exemplo, 100% do tempo do gerente de operações do data center, 25% do tempo do Diretor de Tecnologia (CTO) e 2% do tempo do tempo do CEO.

Quaisquer que sejam os critérios de rateio aplicados para distribuir esses custos indiretos das instalações físicas e da estrutura da empresa, chegaremos a custos em geral bem maiores do que a simples soma de despesas de depreciação e custos de manutenção dos equipamentos.

 

Custos de Oportunidade

 

Existe um outro tipo de custo que é quase impossível de medir: o chamado custo de oportunidade. Se todo o tempo (total ou parcial) de todas as pessoas envolvidas (dos operadores ao presidente) pudessem ser utilizados em tarefas mais nobres, que alavancam a empresa no seu mercado, quanto poderia estar sendo gerado de receita adicional?

Ou, mudando a pergunta: e se o foco fosse gerar MAIS valor para a empresa?

A diferença entre essa receita potencial adicional, que existe – mas que ninguém se aventura a calcular – e a receita real representa uma perda de oportunidade de negócio, sendo por isso um custo de oportunidade.

Além disso, se a empresa está empregando muitas pessoas somente para manter o parque de máquinas funcionando, ela está reduzindo um indicador muito importante em todo tipo de negócio: receitas por funcionário.

O dinheiro gasto com atividades de infraestrutura, que em geral requer técnicos de nível elevado, poderia estar sendo gasto em atividades de melhoria dos produtos e serviços, atividades para aumentar as vendas, marketing para aumentar a participação de mercado – e por aí vai. Isto sim potencializaria o aumento da relação Receita/Funcionário.

Assim, a implantação dos serviços em nuvem deveria estar focalizando a liberação de recursos para aumentar a produtividade e a competitividade da empresa, gerando mais valor – e não a simples redução de custos.

Pensar só em custos diretos traz um divórcio natural entre as ações de redução e os objetivos de negócio da empresa – e provavelmente leva a decisões erradas ou que não têm muito impacto organizacional ou de mercado.

Isso não significa que todas as pessoas de operação devam ser demitidas – e sim que a empresa deve fazer o “outsourcing” do que não é essencial para a atividade fim do seu negócio. Realocando o maior número possível de pessoas para as atividades que têm impacto nas suas receitas, vendas – e no resultado geral do negócio.

Sinteticamente, o objetivo deve ser não o de cortar custos simplesmente, mas o de realocar recursos para onde eles possam agregar mais valor ao negócio.

 

Custos de Atraso…

 

Há um segundo tipo de “custo de oportunidade” que também é difícil de calcular e que, quando ocorre, coloca em risco a própria sobrevivência do negócio.

O fato da empresa querer fazer tudo dentro de casa, por se sentir mais segura, por ter mais no controle de todas as atividades, muitas vezes acaba gerando um tempo adicional para fazer seus produtos e serviços novos (ou melhorados) chegarem ao mercado (“Time to Market”).

Muita gente advoga que essa questão de agilidade e velocidade interessa muito mais para empresas pequenas e startups, que estão inovando – e que têm de acelerar e antecipar ao máximo a introdução de seus produtos e serviços no mercado. Assim sendo, para empresas grandes, com orçamentos e ciclos anuais, antecipar (ou não postergar) receitas não tem muito efeito prático.

Não é verdade: um mês de faturamento numa grande empresa é em média cerca de 8% do faturamento anual e pode ser a diferença entre ter ou não ter resultado.

Se a equipe de TI levar um ano para fazer o “setup” de infraestrutura para acomodar novos produtos e serviços (que poderiam ser adquiridos total ou parcialmente em IaaS, PaaS ou SaaS), estará atrasando em um ano o faturamento de “novas vendas” da empresa – o que é muito significativo e abre um espaço de ataque muito grande por parte de concorrentes mais velozes, que podem aproveitar esse tempo para ganhar participação de mercado.

Por isso, este custo de oportunidade é também chamado de custo de atraso.

Não importa o nome: é um caminhão de dinheiro que vai deixar de entrar no caixa da empresa – enquanto todas as despesas e custos continuarão existindo nesse período (e até aumentando), por causa do investimento no futuro cuja receita ainda não chegou. Como tudo estava no orçamento do ano anterior, as coisas parecem estar andando conforme o planejado. Se nenhum dirigente questionar se as coisas poderiam ser feitas de outra forma, ou mais velozmente, ninguém irá parar para analisar alternativas de aceleração.

Concluindo: quando a empresa não quer mudar hábitos e culturas, é mais fácil arrumar motivos para não mudar, ou motivos para não mudar as coisas. O importante, no entanto, ao considerar custos, é calcular os custos corretamente, de forma mais ampla. E, antes de tomar uma decisão com base apenas em custos contabilizáveis, considerar também os custos de oportunidade e de atraso – que podem representar ameaças impactantes no resultado do negócio e até na sua sobrevivência.

Redução de custos da Computação em Nuvem

Dificuldades para adotar Computação em Nuvem
Mercado de Computação em Nuvem

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