Os serviços de IaaS, Infrastructure as a Service, são os mais simples e mais flexíveis dos modelos de ofertas em Cloud Computing. Mas você sabe como começar a usar IaaS na sua empresa?

Se você trabalha numa empresa média ou grande, com certeza existe uma área de TI e há alguns (ou dezenas de) servidores rodando in-house. Esses servidores podem estar rodando aplicações voltadas ao público interno (e-mail, aplicativos de escritório, processamento de pedidos, faturamento, etc.) ou ao público externo (web site da empresa, e-commerce, compras de fornecedores). Podem estar rodando outros sistemas transacionais e informacionais, como ERP, CRM e até Business Intelligence.

Os serviços em nuvem no modelo IaaS permitem que você crie um data center virtual onde pode instalar e rodar os softwares e sistemas que bem entender, na quantidade de máquinas que quiser.

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A diferença fundamental é que esses servidores estarão virtualizados, ou seja, seus recursos computacionais rodarão na nuvem e serão acessados pela internet. E todos os serviços que rodarem nesses servidores serão entregues pela internet, quando forem utilizados por usuários internos, fornecedores e clientes.

No modelo IaaS, a empresa gerencia tudo que vai além do hardware, do sistema operacional para cima. É como se a empresa estivesse operando seus próprios servidores, só que agora “remotamente”, através da internet.

Obviamente, o provedor deve fornecer um painel de acesso (dashboard) para o controle e a configuração de máquinas que dê amplos poderes para a equipe de TI, tais como:

  • Acessar e configurar facilmente o hardware dos servidores (capacidades da CPU, memória dinâmica (RAM) e memória estática (discos)). O grande ganho, aqui, é poder escalar mais recursos a qualquer tempo;
  • Monitorar o desempenho dos servidores, do fluxo de dados (I/O) e do desempenho dos softwares;
  • Automatizar ao máximo o escalonamento de recursos.

Além do painel de controle e monitoração, alguns fornecedores fornecem também APIs para que seus clientes montem seus próprios programas de monitoramento, parametrização e controle.

O que pode – ou deve – ser migrado para IaaS?

A computação em nuvem não é necessariamente uma solução para tudo o que a empresa roda. A migração envolve fatores estratégicos, técnicos e operacionais.

Pagar somente pelo que você usa é um motivo forte para usar a nuvem, mas não suficiente em todos os casos. Ter recursos praticamente infinitos ou a possibilidade de aumentar a capacidade a qualquer instante, se houver requisições de alta demanda durante breves períodos, também não.

É preciso pensar em todos os aspectos ligados à sua infraestrutura de data center e aos seus times de TI, antes de iniciar a migração. A migração deve fazer sentido do ponto de vista técnico, mercadológico e empresarial.

Um jeito de tomar essa decisão é simplesmente listar todas as aplicações que rodam no “data center” interno e, para cada uma delas, analisar fatores como:

Consequências de Paradas

Se o sistema parar, a empresa perde faturamento? Ou pode perder clientes? A produção para? As entregas param? Os funcionários administrativos param de trabalhar? Ou se sentem desmotivados para trabalhar porque os sistemas de apoio vivem “caindo”?

Consequências de Estrangulamentos

Se a demanda do sistema for muito elevada e seu desempenho ficar cada vez mais lento, que riscos de negócio existirão? Em outras palavras: o sistema exige alta disponibilidade e alto desempenho? O sistema tem picos de demanda em função da sazonalidade de vendas ou de produção ou de entregas?

Consequências de Perdas

Se os dados de um sistema forem perdidos e puderem ser recuperados, quais as decorrências nesse intervalo de tempo? E se não puderem, haverá consequências legais, fiscais, mercadológicas, administrativas e financeiras? Trará problemas jurídicos para os dirigentes? Essas perdas (de tempo e ou dados) podem comprometer a existência da empresa ou fazer cair seu valor de mercado? Ou afetarão significativamente o relacionamento com os clientes?

Custos de Contingenciamento Físico

Para garantir que o sistema rode, há custos elevados para garantir eletricidade, ar-condicionado, sistemas contra incêndio, sistemas de segurança em função de possíveis furtos físicos?

Custos de Manutenção dos Servidores

O servidor que roda a aplicação está envelhecido? Exige manutenções corretivas constantes? Exige uma política de manutenção preventiva? O custo de manutenção mensal ou anual, somado ao custo de depreciação, também mensal ou anual, está compatível com o valor que os serviços da aplicação agregam ao negócio? E se somarmos a esses custos o custo do pessoal de TI alocado somente para cuidar de problemas de hardware?

Se você montar uma tabela e atribuir 1 ponto a cada resposta para cada um desses fatores, terá um pré-plano de importância de migração para IaaS. Por exemplo:

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A tabela mostra que os principais candidatos à migração para a nuvem são os sistemas menos prioritários para o funcionamento da empresa: Sistema 1 e Sistema 2.

Antes de iniciar qualquer migração de sistemas, é melhor passar um pente fino, fazendo algumas questões adicionais:

1. O sistema a ser migrado está disponível no mercado como uma solução SaaS? Se estiver, você não precisaria alugar servidores, instalar sistema operacional e escrever código para muitas de suas necessidades. De e-mail a ERP tudo está comoditizado hoje em dia – e pode ser ainda mais barato usar SaaS que IaaS.

2. O sistema a ser migrado poderia ser instalado num PaaS, onde você só gerenciaria as aplicações e os dados? Então seria o caso de usar um serviço PaaS público, como Google App Engine ou Azure.

Benefícios e Vantagens Básicos do IaaS

Ao invés de investir montantes elevados na compra de hardware, a empresa contrata e paga IaaS baseada na sua demanda, de forma similar à compra de eletricidade ou água.  Isto converte despesas de depreciação fixas em custos variáveis que acompanham o volume e o ritmo da produção de serviços de TI.

Isso elimina também os chamados custos invisíveis ou não utilitários: capacidades instaladas no data center próprio como “buffers” para picos de demanda, mas que ficam a maior parte do tempo em “standby”.

Outras vantagens

Custos que viram investimentos

Conforme a empresa, uma parcela significativa dos gastos com TI é consumida pelo “hardware”. Hardware próprio pode parar a qualquer momento. As soluções em nuvem removem os riscos destas falhas e os gastos que seriam feitos com sua manutenção corretiva ou preventiva. Seria melhor gastar esse dinheiro de manutenção, que envolve técnicos bem preparados, colocando este pessoal em atividades que de fato alavancam os negócios da empresa, transformando custos em investimentos.

Menor índice de Paradas e Independência do local de instalação

Se a área onde sua empresa opera ficar sem energia, a menos que você tenha um esquema de contingência, seus servidores vão parar e o acesso dos seus clientes a eles também irá parar – o que pode ser muito complicado. Os provedores de nuvem cuidam disso de duas formas:

  • Segurança do hardware: os serviços rodam em hosts dentro de data centers seguros, com várias medidas de segurança para contingência;
  • Redundância: os hosts das instalações em nuvem têm redundância. Se um servidor ou chave de rede cair, o data center permanece funcionando graças aos numerosos recursos de hardware que automaticamente restabelecem os níveis de atividade. Mesmo se um data center inteiro “cair”, o host pode ter centros secundários e até terciários para dar continuidade às funcionalidades online.

Diversidade de plataformas com maior visibilidade e gerenciamento

Possibilidade de instalar qualquer plataforma de software (ou diversas) e fazer um gerenciamento unificado (mesmo em ambientes híbridos), o que aumenta a visibilidade e a eficiência das operações.

Recursos gerenciados de forma mais eficiente

Recursos computacionais altamente automatizados e escaláveis, que são complementados pela funcionalidade da nuvem podem fazer, automaticamente, em função da demanda, ajustes nas capacidades de armazenamento e serviços de operação em rede. Ou seja, os recursos são alocados em função das necessidades do negócio, tornando o gerenciamento de recursos mais eficiente.

Recursos aplicados de forma mais inteligente

É possível construir muito rapidamente um “data center virtual” na nuvem tendo acesso essencialmente às mesmas tecnologias e capacidades de recursos de um data center tradicional – sem ter que investir em planejamento de capacidade, bem como na manutenção e no gerenciamento de sua parte física.

Aceleração na implantação de novas funcionalidades e sistemas

IaaS é o modelo de cloud computing mais flexível e permite deployment automático de servidores, poder de processamento, armazenamento e serviços de rede (por exemplo, firewalls). Isso reduz o tempo de “deploy” de novas funcionalidades e mesmo de instalação de novos sistemas.

Muitos provedores de IaaS hoje oferecem serviços adicionais como banco de dados, gerenciamento de mensagens e outros serviços que estão acima da camada de pura virtualização dos servidores. O pessoal técnico faz uma distinção e usa a sigla IaaS+ para estas opções adicionais de serviços.

Desvantagens

Equipes de Ti mantém o mesmo nível de responsabilidade

Com o IaaS a empresa cliente tem controle total de infraestrutura – o que não acontece e não é necessário com os outros modelos de serviços, PaaS e SaaS. A empresa continua responsável pelo gerenciamento das aplicações, dados, “runtime”, “middleware” e sistemas operacionais. Não haverá economias com equipe de TI, pois as pessoas que cuidam disso no data center interno passarão a fazer a mesma coisa no data center virtual.

Como toda camada de software continua sendo cuidada pela empresa, ela permanece responsável pela sua atualização sempre que surgirem novas versões, “service packs” e “patches”.

Também a responsabilidade pela segurança dos sistemas, integridade dos dados, etc., excetuando-se aspectos de segurança do hardware, continuam sob responsabilidade da área de TI da empresa. Os requisitos de segurança para sistemas rodando em IaaS são essencialmente os mesmos que existem para rodar no data center próprio.

Custos atrelados ao dólar

Com a desvalorização recente do real, os custos dos principais provedores estão tendo elevação acima da taxa de inflação. A desvalorização da moeda de certa forma está anulando reduções reais de custos (em dólar), que é promovida pelos provedores de tempos em tempos. Esta desvantagem, na verdade, aplica-se a todas as modalidades de serviços em nuvem

Drivers para a Adoção de IaaS

A empresa Ashton, Metzler & Associates fez em 2012 uma pesquisa muito interessante: uma análise de marketing sobre a adoção de IaaS [1].

Um dos objetivos da pesquisa era ajudar os provedores a decidirem como “embalar” seus serviços e, na ponta das empresas clientes, ajudá-las a se planejar nesse crescente mercado.

Quais os “drivers” que levam as empresas a adotar (ou não adotar) IaaS? O que incentiva – ou inibe – as empresas a adotarem esse tipo de serviço?

Os resultados surpreendem.

Fatores incentivadores

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Embora a redução de custos seja considerada na indústria como o fator predominante para a adoção de Cloud Computing no modelo IaaS, a pesquisa revelou que a escalabilidade (capacidade de expandir ou contrair recursos disponíveis de forma automática) era um fator tão importante quanto. O segundo fator foi, na prática, agilidade: facilidade para implementar novos sistemas e novas funcionalidades nos sistemas existentes. Considerando a combinação de deploys, agilidade – e não redução de custos – é de longe o maior driver para a adoção de soluções IaaS.

Fatores Inibidores

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Curioso é que o maior fator inibidor tem por trás a possível ação de hackers, que têm atuação cada vez mais sofisticada. Ocorre que este risco é essencialmente o mesmo (ou até maior) com as soluções rodando dentro da empresa.

Na prática, se olharmos um pouco mais de longe as respostas dadas, vemos que há mais questões e barreiras culturais do que efetivamente técnicas. Medo de mudar, medo do que não se conhece bem, aliado a uma espécie de “zona de conforto”: não vamos mexer em time que está dando certo ou não há porque mudar o que era feito se o que era feito não está apresentando problemas. Custos e recursos humanos que já estão nos orçamentos e que se repetem a cada ano dificilmente são contestados. Mudanças sim, são alvo de questionamentos: quais os riscos? Por que mudar? Quais os ganhos? É preciso um esforço que nem todos os dirigentes de TI querem enfrentar – ou nem têm tempo disponível para isso, em função dos ”backlogs” que sempre existem na área de TI.

Mercado IaaS

Um dos fatores que mais tem impulsionado o mercado de IaaS é a sua adoção por parte de pequenas e médias empresas. O número de pequenas e médias empresas, especialmente nos países desenvolvidos, vem aumentado numa taxa superior à de grandes empresas, o que é intuitivamente fácil de se compreender. Analistas da Sandler Research[2] estimam um crescimento médio de 43% ao ano no período de 2015 a 2019.

Ou seja, IaaS é um dos modelos de serviço de nuvem com crescimento muito rápido.

 

 

Leia também: O que é SaaS? E como começar a usar?


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