O papel e os impactos da tecnologia na cultura organizacional

A cultura organizacional é composta por elementos como processos e operações, mas também pela forma com qual a liderança e os colaboradores interagem uns com os outros. Um outro elemento que também faz parte da cultura organizacional de uma empresa é a tecnologia.

Isso significa que, por exemplo, ao iniciar uma jornada de transformação digital, adotar uma nova tecnologia, mudar um fluxo de trabalho ou implementar frameworks ágeis; é necessário levar em conta a cultura que já existe na organização e como essas mudanças podem impactar os times e resultados esperados.

Além disso, é muito comum que os times de tecnologia trabalhem com equipes externas, de empresas parceiras, o que gera para a gestão o desafio de equilibrar múltiplos interesses e, em alguns casos, culturas e valores que não necessariamente se complementam.

Muitas iniciativas e parcerias de tecnologia acabam falhando justamente porque o aspecto cultural da empresa e dos times não é levado em consideração no processo.

Uma pesquisa realizada pelo Boston Consulting Group (BCG), revelou que o desempenho financeiro daqueles que priorizaram a cultura no momento da transformação digital, foi 5 vezes maior do que aqueles que negligenciaram esse tema.

Além disso, é importante ressaltar que uma transformação digital não é apenas uma fase de transição e sim um processo contínuo, que requer um comprometimento a longo prazo.

Como disse Walter Ruiz, nosso sócio diretor, à TI Inside, “a transformação digital tem como base três pilares fundamentais: pessoas, processos e tecnologia. Para que todos se complementem, é necessário que existam novas maneiras de pensar, aprender e aplicar suas experiências, afinal, a evolução não acontece sem melhorias multidisciplinares”.

Ou seja, se o caminho para a maturidade digital é uma maratona. Negligenciar aspectos culturais pode causar impactos negativos por muito mais tempo, impedindo as organizações de alcançar os resultados desejados.

Lembre-se: a tecnologia pode trazer ótimos resultados, mas apenas nas mãos das pessoas certas.

Nesse post vamos explorar mais os impactos da tecnologia na cultura organizacional e como as empresas podem se preparar para evitar resultados negativos. Confira:

O que acontece quando a cultura organizacional de uma empresa e a tecnologia não estão alinhadas?

De acordo com a Deloitte, em 2022, as organizações haviam projetado um investimento de quase 2 trilhões de dólares em transformação digital. Esse alto investimento se deve à proliferação de novas tecnologias; à uma mudança no perfil do público consumidor; e à necessidade de se manter competitivo no mercado.

Entretanto, uma transformação digital é mais do que atualizar tecnologias ou redesenhar produtos. “Quando as organizações realizam a transformação digital e se concentram apenas na tecnologia em detrimento da cultura, isso pode prejudicar o progresso em muitas áreas”, diz Carey Oven, sócia da Deloitte.

As consequências para as organizações que não alinham as metas de transformação digital com os valores culturais podem variar desde:

  • adoção lenta de novidades tecnológicas,
  • perda de competitividade e agilidade no mercado,
  • fracasso final da iniciativa e
  • perda de produtividade e receita.

Um exemplo dessas consequências, aconteceu em uma grande empresa da área de seguros. Eles começaram a experimentar com a robotic process automation (RPA), porém um ano depois, ela ainda não conseguia fazer o deploy de um robô para realizar alguns processos, muito por conta da cultura mais tradicional e avessa a novas tecnologias que havia na organização.

Explorando um pouco um outro ponto de vista, uma pesquisa da HBR analisou o processo de outsourcing de várias empresas, de segmentos distintos, observando como lidar com as mudanças em diferentes contextos.

Até mesmo porque, como comentamos no início desse post, é muito comum hoje em dia que as empresas contratem outsourcings e parceiros de tecnologia para atuar em determinados serviços e projetos, tornando a gestão dos times mais complexa.

Um dos pontos que a HBR destacou, e que reforça a necessidade de alinhar cultura e tecnologia, foi que durante o processo de contratação e escolha de uma empresa parceira em determinados contextos há necessidade de mudar a atuação de alguns papeis na operação interna.

No exemplo, uma empresa petroleira chamada “Energen” precisava otimizar custos e atualizar a tecnologia de algumas áreas. Então, eles começaram a estudar a operação para entender o que poderia ser passado para uma outsourcing.

A operação de telecomunicações foi uma das escolhidas, considerada um sistema crítico, que conectava 2.000 postos de gasolina da Energen à sede. Dois especialistas ficaram responsáveis por gerenciar essas operações junto ao fornecedor. Assim, em vez de realmente operar e manter a rede, eles agora eram responsáveis por interpretar as necessidades dos usuários e comunicá-las ao fornecedor.

Porém, quando surgia um problema técnico, os especialistas queriam resolvê-los em vez de reportar ao fornecedor, que agora era responsável pelos assuntos técnicos.

O vice-presidente da área de TI interveio na situação e recrutou um de seus gerentes de data center, que supervisionava os arrendamentos de hardware, para ficar na área de telecomunicações e fazer a mediação com o fornecedor. Os dois especialistas então, foram transformados em consultores.

Esse exemplo demonstra que mesmo realizando estudos prévios antes de escolher quais operações/áreas seriam de responsabilidade de uma outsourcing, não era possível prever essa necessidade de ajustes internos.

Isso aconteceu apenas após o início dos trabalhos, justamente porque a empresa passou a atuar em um contexto diferente e para isso precisou tomar outras decisões. Se o VP da área de TI não tivesse se atendado a esse ponto, era muito provável que a Energen experimentasse mais dificuldade em avaliar os ganhos com a outsourcing e que houvesse mais prejuízos em relação ao sentimento dessa equipe, que poderia eventualmente refletir na cultura organizacional como um todo.

Como equilibrar a cultura organizacional e as mudanças tecnológicas sem afetar o crescimento do negócio?

O sucesso de uma transformação digital ou de uma mudança relacionada à tecnologia, que impacta no modelo de trabalho, vai depender do quanto o time está integrado ao processo.

Uma mentalidade digital-first, ajuda os times a resolver problemas com mais facilidade, discutindo vantagens e desvantagens sobre como melhor implementar essas soluções, acelerando a tomada de decisões.

A colaboração também precisa fazer parte da cultura organizacional, justamente porque ela incentiva a união entre áreas e funções, com o objetivo de otimizar processos e aumentar a eficiência.

De acordo com o portal CIO, a falta de tempo e esforço para estabelecer e adotar uma comunicação eficaz e a transferência de conhecimento, pode prejudicar significativamente o sucesso dos projetos. Além disso, a falta de estrutura, o não compartilhamento de informações essenciais e as lacunas entre as partes críticas do processo, levam os membros da equipe de ambos os lados a levar o projeto para direções opostas.

Como vimos no exemplo do tópico anterior, uma falha na comunicação e estruturação de processos entre o time interno e a outsourcing poderia ter colocado em risco a operação de um sistema crítico.

Construir um ambiente de confiança e transparência ajuda a criar espaços em que os colaboradores podem compartilhar livremente suas opiniões, sugestões e críticas, ampliando o entendimento das situações.

De acordo com a Forbes, existem alguns outros atributos em comum às culturas organizacionais que conseguem acomodar melhor as mudanças tecnológicas. São eles:

  • foco no cliente;
  • inovação;
  • tomada de decisão baseada em dados;
  • agilidade e flexibilidade

A ideia é utilizar essas características para construir uma cultura organizacional que seja capaz de abraçar a mudança.

Além disso, a maior vantagem desse comportamento é a velocidade. Hoje, o tempo é uma das moedas mais valiosas e quanto mais tudo se arrasta, maior se torna o risco de interrupção ou de que um concorrente consiga te superar.

Mover-se rapidamente requer comprometimento de seu pessoal, e eles estarão muito mais propensos a abraçar a mudança em uma cultura organizacional que consiga colocar em prática os atributos que citamos acima.

Qual o papel da liderança na cultura organizacional?

A liderança exerce papel fundamental no processo de entendimento das equipes sobre as mudanças de contexto, já que eles conseguem estimular os funcionários a sair de sua zona de conforto e identificar as falhas nos processos.

Eles também podem contribuir com as mensagens que vão reforçar na comunicação valores de transparência, responsabilidade e disposição para experimentar. As mensagens também podem enfatizar o que a organização representa, ou seja, seus valoressua visão e missão.

Além disso, uma liderança que utiliza ferramentas de sensemaking e cynefin consegue entender como se posicionar e quais atitudes são necessárias, dependendo dos cenários e das mudanças – internas e externas – que afetam os projetos.

Mudanças e alterações que acontecem com rapidez fazem parte do mundo em que vivemos hoje e é praticamente impossível que elas não impactem o andamento dos projetos. Por isso, é necessário saber lidar com elas e fazer com que as equipes também encarem essas mudanças com outros olhos.

Gerenciamento de múltiplas equipes de TI

Do ponto de vista da gestão dos times internos com as equipes parceiras, a necessidade de alinhar a tecnologia com a cultura também permanece, mas em outros aspectos.

Independente da metodologia de trabalho que você for utilizar, é importante escolher uma outsourcing ou empresa que consiga entender em que contexto você está e quais são as suas necessidades.

Por exemplo, se você quer aplicar agile e flexibilidade, para acelerar o time to market, é importante que a outsourcing consiga acomodar essa necessidade, se certificando de que os papeis necessários para se adotar o agile estejam cumprindo as suas funções, além da experiência com operações iterativas e incrementais, por exemplo.

No que tange as equipes, é importante considerar se os papeis estão adequados ao novo contexto – como mencionamos na pesquisa da HBR acima – e a necessidade de estabelecer canais de comunicação, colaboração e interação; de forma que seja possível criar fluxos de trabalho que permitam que as demandas e os acessos sejam disponibilizados, sem causar atrasos ou problemas de segurança.

Além disso, o fato de você procurar um parceiro que consiga te atender nos projetos e que tenha um fit cultural com o seu time interno, te possibilita a trocar ainda mais experiências, afinal, é muito provável que uma pessoa de fora, seja um outro gestor ou agilista, por exemplo, possa te ajudar a ter uma visão mais ampla do seu negócio.

Apoiamos a sua transformação digital

Como comentamos acima, ações de transformação digital ou outras mudanças atreladas a tecnologia, podem impactar a cultura organizacional de uma empresa e existem meios para tornar essa cultura mais receptiva as mudanças.

Além disso, é importante poder contar com um parceiro, como a OPUS que consiga te auxiliar nesses momentos, para que você possa atingir os resultados que deseja.

Em um dos nossos clientes, nós identificamos a necessidade de melhorar o onboarding de novos membros no time do projeto, justamente porque quando feito de forma desestruturada, isso pode atrasar o entrosamento e prejudicar a performance da equipe como um todo.

O Onboarding foi estruturado para que em apenas 2 semanas, já fosse possível integrar novos membros ao time e ao projeto, incluindo tanto a parte técnica, quanto a parte social, para membros da OPUS e do cliente.

O sucesso do novo processo fez com que ele fosse replicado em outros projetos, por equipes internas dos clientes, mostrando justamente essa necessidade de ajustar um processo cultural, para adequar melhor o desenvolvimento do projeto de tecnologia e desenvolvimento ágil.

Faça a sua transformação digital acontecer! Venha conversar com a gente e nós ajudamos você a superar os desafios da mudança.

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