O que é FinOps e como implementar essa prática na sua empresa

FinOps é um método de gerenciamento de negócios, que se insere na cultura das empresas, no sentido de promover responsabilidade financeira, já que esse modelo é uma combinação de sistemas e práticas que facilitam o entendimento dos custos dos serviços em nuvem. Vale ressaltar que o FinOps não é uma iniciativa única, é uma jornada constante e, por isso, precisa de planos e estratégias para fazer os ajustes necessários, de acordo com as mudanças.

As despesas com Cloud Computing já são uma realidade em 92% das empresas mundiais, de acordo com o Estudo de Computação em Nuvem de 2020, da IDG. Assim como o DevOps revolucionou o desenvolvimento, aumentando a agilidade, o FinOps chega para orientar equipes de engenharia, finanças, tecnologia e negócios a trabalharem juntas nas decisões de custo na nuvem.

As empresas ultrapassam seus orçamentos de nuvem em 13%, em média, e desperdiçam 32% de seus gastos com nuvem. Isso acontece porque ainda utilizam modelos de governança de custos tradicionais e no mundo de Cloud Computing a qualquer momento você pode exceder seus gastos sem perceber, já que a nuvem não tem uma capacidade definida e, portanto, o custo também não. FinOps vai gerenciar o uso da nuvem para fazer dinheiro, investindo os recursos de maneira estratégica e com responsabilidade financeira sobre o custo variável de cloud, agilidade, previsão de custos e velocidade de implementação. Confira o que é FinOps e como esse modelo pode ser benéfico para sua organização.

O que é FinOps?

FinOps é uma prática a ser aplicada na cultura organizacional: unir finanças, tecnologia e administração para controlar os custos, maximizar o uso de tecnologias na nuvem e promover lucros. As equipes se apropriam de seu uso da nuvem e gerenciam os respectivos custos, com o suporte de um grupo central, que gerencia a entrega e obtém mais controle financeiro e previsibilidade. O resultado de fazer uso de FinOps é a redução de custos, mas esse não é o seu objetivo, seu objetivo é a promoção de lucros.

O FinOps é baseado em seis princípios:

  1. Os times devem colaborar;
  2. O valor agregado ao negócio motiva as decisões;
  3. Todos são responsáveis por seu consumo na nuvem;
  4. Os relatórios do FinOps devem ser acessíveis e atualizados;
  5. Um time centralizado gerencia o FinOps;
  6. O modelo de custo variável da nuvem deve ser aproveitado.

Muitas organizações estão implementando esse modelo, porque entenderam que o controle de custos na nuvem é fundamental, especialmente aquelas que possuem arquiteturas Multicloud, que, segundo a pesquisa “A Posição do FinOps 2022” realizada pela FinOps Foundation, são 47% das empresas, o que representa um aumento de 5% em relação à pesquisa anterior.

O conjunto de processos e práticas recomendadas que compõem FinOps visa enfatizar a transparência, a colaboração e a otimização contínua de recursos com o uso de automação, além da tomada de decisões orientada por dados e foco no valor do negócio. Isso vai facilitar para as empresas o entendimento dos serviços em nuvem disponíveis no mercado e ajudar a escolher estrategicamente o melhor sistema, levando em consideração a necessidade de operação e orçamento.

>>Leitura recomendada: Como fazer um planejamento estratégico de TI eficiente

Quais práticas compõem o FinOps?

FinOps é uma combinação de sistemas, boas práticas e mudança de cultura, algo que deve ser constante e não uma ação com fim em si mesma. A ideia do FinOps é mudar a maneira com a qual as equipes de TI, finanças e administração interagem, por meio de um modelo operacional que ajude as organizações a melhorar suas habilidades e entender os custos trazidos pela nuvem, em conjunto.

Há 3 fases de realização e performance de FinOps, de maneira cíclica: informar, otimizar e operar. Você só consegue construir práticas de sucesso quando pessoas, processos e métricas estão alinhados aos valores do FinOps e da empresa.

Informar

A primeira fase consiste em garantir a visibilidade da alocação de recursos, orçamentos e pessoas, para obter dados, com o objetivo de criar parâmetros de comparação, que serão utilizados para que todos consigam enxergar o que está sendo gasto e por quê.

Para que as organizações utilizem essas informações para tomar decisões melhores, gerenciando os custos em nuvem, é importante que esses dados possam ser obtidos em tempo real, com monitoramento diário, utilização de tags e mapeamentos de funcionalidades.

Quanto mais precisas forem a alocação de recursos na nuvem, maior será o controle e a precisão dos relatórios financeiros. Alarmes automáticos podem ser aplicados, aumentando o nível de automação do monitoramento.

Otimizar

A segunda prática visa otimizar o uso de Cloud Computing. Como utilizar os recursos da melhor maneira? Quais as oportunidades de redução custos? Esta é a fase responsável por colocar em práticas ações, baseadas nas informações coletadas na primeira fase.

É importante tomar as variáveis dos custos de nuvem como uma oportunidade e não como um risco, planejar como tirar vantagem dessas variáveis. A ideia é dimensionar a capacidade corretamente, mas sem reduzir a eficácia da nuvem.

Os provedores de nuvem oferecem diversas formas de otimização, como comprometimento antecipado, para reduzir o custo unitário e técnicas de rightsizing, para evitar recursos ociosos.

Operar

A última fase é o acompanhamento contínuo dos objetivos. Métricas de rastreabilidade e curvas de tendência são usadas nessa fase para medir a evolução, a velocidade, qualidade e custo. Depois disso, o ciclo se fecha e volta à fase inicial, de informação.

Tenha sempre em mente o pensamento de que o cloud computing é uma inovação tecnológica e os investimentos em unidades de nuvem são necessários, quando feitos estrategicamente.

Esse tipo de modelo é estrategicamente muito importante para as empresas, a fim de analisar a operação, verificando se ela está saudável e conferindo se há algo que pode ser melhorado sem prejudicar a performance.

O FinOps é um ciclo que precisa ser executado continuamente e requer dedicação e conhecimento da operação. Se é uma responsabilidade complexa para a empresa, parcerias de FinOps podem ser uma opção.

Otimização de custos e entrega de valor

O principal ponto do FinOps é alocar os recursos de forma inteligente. Portanto, entender seus custos de nuvem e torná-los acessíveis a todas as áreas da empresa é o primeiro passo. Assim, as organizações podem aumentar a conscientização sobre os custos e obter métricas sólidas nas quais confiar ao planejar novas iniciativas de nuvem.

É importante ter em mente que, uma vez que a iniciativa de nuvem comece a ser dimensionada, ela pode se expandir para vários serviços, contas e provedores de nuvem. As equipes podem usar dados de monitoramento de custos diários ou semanais para verificar a taxa de queima de orçamento e garantir que permaneçam dentro do que foi estabelecido.

Construir uma prática de FinOps é impossível se as organizações não tornarem a visibilidade de custos em tempo real acessível a todos, já que FinOps precisa estar integrado a todas as áreas de uma empresa e não apenas na equipe ou no projeto em que estão destinados.

Uma prática comum entre as organizações para concretizar essa visibilidade em tempo real é combinar várias soluções em sua prática de monitoramento e otimização de custos na nuvem.

Três maneiras de praticar FinOps para reduzir os custos da nuvem: instâncias reservadas (RIs), arquitetura serverless e escalonamento automático.

As RIs são contratos de longo prazo que são significativamente mais baratos do que os preços à vista, mas podem não ter a flexibilidade necessária.

A arquitetura serverless é um modelo para construir aplicativos que não requerem provisionamento ou gerenciamento de servidores, permitindo que os desenvolvedores foquem cada vez na parte essencial de seu produto. Um dos principais benefícios das arquiteturas sem servidor é que elas podem ser usadas para aumentar ou diminuir automaticamente os aplicativos em resposta à demanda. Esse tipo de aplicação pode exigir mais planejamento e investimento inicial, mas resultados muito benéficos no futuro.

O terceiro método é conhecido como escalonamento automático, um processo que ajusta automaticamente a capacidade de um aplicativo em resposta às mudanças na demanda. Isso pode ajudar a otimizar custos, garantindo que os recursos sejam usados apenas quando forem necessários e não sejam desperdiçados quando a demanda for baixa. A capacidade de mover cargas de trabalho entre diferentes nuvens coloca organizações em uma posição mais forte de negociar vantagens comerciais, ajudando a reduzir custos e otimizar as despesas gerais de TI.

>>Leitura recomendada: Descubra por que adotar frameworks ágeis não é a mesma coisa que ter business agility

Cloud Computing no mundo empresarial

Ao olhar para a história da computação em nuvem, desde 1960, com seu surgimento, a 1997, quando ganhou o nome de Cloud Computing, até atualmente, com o uso das tecnologias mais evoluídas, o mundo da computação em nuvem só tende a crescer, em nível pessoal e empresarial.

Segundo o estudo de Tendências da Nuvem 2020, divulgado pela Flexera, 50% das empresas gastam cerca de 1,2 milhões de dólares por ano com Cloud Computing e 13% gastam mais de 12 milhões, pelo mesmo serviço. Mas por que há tanta diferença?

Quando o Cloud Computing é inserido em uma empresa de forma otimizada, o custo inicial de migração é rapidamente recuperado e transformado em lucro. Se não há organização em tal migração, os custos tendem a permanecer altos, já que as estratégias financeiras utilizadas não estão em conformidade com as estratégias digitais.

A pesquisa realizada pela FinOps Foundation, citada anteriormente, aponta o nível de maturidade das organizações em FinOps, classificando-as como:

  • 7,5%: Pré-crawl (ainda não começaram a implantação de FinOps)
  • 37,2%: Crawl (nível básico)
  • 42,8%: Walk (precisam amadurecer)
  • 12,5%: Run (prática madura e em evolução)

O mundo dos serviços em nuvem é dinâmico e a prática do FinOps oferece ideias e ferramentas que permitem entender, projetar e prever gastos, controlando-os de maneira a estarem sempre alinhados aos objetivos da empresa.

Qual o papel da governança de TI em FinOps?

De acordo com a FinOps Foundation, o maior desafio na adoção de práticas de otimização de custos é fazer com que os engenheiros ajam, isso porque os engenheiros raramente tomavam essas decisões antes da computação em nuvem, que oferece acesso instantâneo aos recursos.

Agora, as equipes de desenvolvimento precisam encarar as inovações e começar a ser financeiramente responsáveis ​​pela infraestrutura e pelos serviços que usam. Enquanto isso, os CFOs e CTOs precisam se preparar para responder a algumas perguntas e conscientizar a todos os responsáveis de áreas sobre tais custos.

Um desafio comum que as organizações enfrentam ao fazer a transição para FinOps é obter a adesão de diferentes partes da empresa. FinOps requer um alto grau de colaboração e comunicação entre TI, finanças e outras unidades de negócios. Como tal, é essencial que todos participem das mudanças desde o início e isso pode ser feito articulando claramente os benefícios do FinOps e como ele ajudará a empresa a atingir seus objetivos.

Segundo a pesquisa “A Situação do Custo da Nuvem”, divulgada pela Forbes, 55% dos engenheiros tendem a gastar algumas horas por semana para resolver problemas relacionados aos custos da nuvem, desde picos de custos surpreendentes até discrepâncias entre despesas previstas e reais. Para 11% dos entrevistados, a interrupção causada por problemas de custo dura um sprint ou mais, e isso impacta diretamente no ritmo de desenvolvimento do produto.

A otimização de custos trazida pelo FinOps precisa estar relacionada à entrega de valor e isso será responsabilidade da governança de TI, que vai assegurar o controle da qualidade e entrega, além da colaboração entre times e informação fluida, para que todos sejam responsáveis pelo seu consumo na nuvem. Se aplicado estrategicamente, possibilita o uso de diversas nuvens pela empresa, de forma a tirar vantagem dos benefícios de cada uma, utilizando recursos de forma inteligente, sem desperdício e com geração de valor.

Agora que você já sabe o que é o FinOps, venha conversar conosco sobre como implementar a prática de FinOps na sua empresa e otimizar seus custos na nuvem.

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