Open Insurance

Open Insurance: entenda a revolução do mercado de seguros

open insurance é uma iniciativa que tem como objetivo tornar o mercado de seguros mais competitivo, fazendo com que os produtos oferecidos pelo setor sejam mais populares e acessíveis, melhorando também a jornada de compra do cliente. Ele faz parte de uma estratégia de inovação aberta, que reúne empresas do segmento e outras que estejam interessadas em criar novos produtos e serviços.  

O funcionamento do open insurance é bem similar ao do open bankingA ideia é permitir que os clientes possam autorizar, de forma segura, o compartilhamento de seus dados, para, a partir daí obter melhores serviços e fomentar a criação de novos modelos de negócio.  

Essa semelhança, inclusive, não é nenhuma coincidência tendo em vista que a quarta fase de implementação do open banking, que está prevista para o dia 15 de dezembro deste ano, já previa o compartilhamento de dados de operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário 

Tanto o open banking, quanto o open insurance, fazem parte de um movimento chamado de open finance, que é justamente essa iniciativa de criar um ecossistema integrado, que permite o compartilhamento de dados de forma segura e transparente, incentivando a inovação 

Para entender melhor como vai funcionar o open insurance, assim como os principais benefícios e desafios dessa iniciativa, é só continuar acompanhando esse post:  

O que é open insurance?

A ideia por trás do open insurance se conecta com a aceleração da transformação digital, que já vinha acontecendo, mas acabou se intensificando por conta da pandemia do novo coronavírus em 2020 

Até mesmo porque, a necessidade por inovação e agilidade foi ao encontro da aproximação com o cliente e o consequente aprimoramento dos estudos relacionados à jornada de compra.  

Com tudo isso em mente, fica fácil entender o propósito do open insurance, que como o próprio nome já sugere, tem como objetivo permitir o compartilhamento de dados e informações no mercado de seguros, para que seja possível oferecer melhores serviços ou mesmo atrair empresas interessadas em criar aplicativos ou soluções relacionados à área, a partir dos insights gerados por esse compartilhamento (autorizado pelos clientes, claro).  

 “O ambiente do Open Insurance tem potencial para melhorar a forma como clientes, em especial pessoas naturais e pequenas e médias empresas, gerem as suas finanças, como as empresas interagem entre si e com os seus clientes, além de promover a inclusão financeira, a democratização do acesso a produtos de seguros e previdência e de transformar a concorrência no mercado. Poderemos ver consumidores anteriormente com pouco ou nenhum acesso, mas com disposição ou necessidade para aquisição de produtos de seguro, podendo obter coberturas customizadas, mais baratas e sentindo-se capacitados para interagir com os diversos atores dos mercados de seguros e previdência”, afirmou Solange Vieira, superintendente da SUSEP 

Como funciona o open insurance? 

Assim como no open banking, o compartilhamento de dados no open insurance é feito por meio de APIs abertas. Elas funcionam como uma “ponte”, compostas por instruções e padrões de comunicaçãoque conseguem proporcionar a comunicação entre empresas diferentes, de forma padronizada e ordenada. Portanto, uma API de open insurance precisa ser:  

  • Simples;  
  • Segura;  
  • Padronizada;  
  • Escalável;  
  • Moderna.  

Na estrutura do open insurance os produtos, serviços, informações e funcionalidades de uma seguradora ficam disponíveis para consumo por qualquer outra e vice-versa. Isso acontece porque elas obedecem ao princípio da reciprocidade, que diz que só é possível ter acesso aos dados se você também os fornecer e o que possibilita isso é justamente o fato de as APIs serem abertas.  

Além disso, a tecnologia das APIs abre portas para uma série de inovações, desenvolvimento de novos negócios, aplicativos e soluções, como por exemplo 

  • Agregação de serviços, relacionados ao open finance; 
  • Facilitar a contratação e cotação de serviços de seguro ou de investimento;  
  • Portabilidade;  
  • Aviso de sinistro.  

O Banco central, que é o órgão regulador do open banking Brasil e a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) estão atuando em sinergia para estipular as regras de segurança e operação dessas APIs. Isso porque, é necessário garantir que os desenvolvedores tenham acesso às regras de desenvolvimento, assim como aos padrões da gestão de consentimento, como está sendo realizado no open banking.  

Como já comentamos, essa similaridade entre as duas iniciativas acontece porque há o objetivo comum de criar um único ecossistema integrado, o open finance. Afinal, informações bancárias e de seguro, muitas vezes, estão conectadas, o que pode aumentar ainda mais os benefícios proporcionados para os clientes.  

“É crucial garantir que o mercado de seguros tenha o espaço e o ambiente adequados para ajudar a transformar este conceito em realidade, empoderando os consumidores. Como regulador do setor, a SUSEP tem se mostrado empenhada em se envolver com o Open Finance de uma forma que gere benefícios indiscutíveis para o consumidor e, por consequência direta, para o mercado como um todo, ampliando ainda mais sua penetração, cobertura e transparência”, explica Eduardo Fraga, diretor da SUSEP 

Atualmente, é obrigatória a participação daseguradoras, EAPC (Entidade Aberta de Previdência Complementar) e as sociedades de capitalização das categorias S1 e S2. As Sociedades Iniciadoras de Serviços e Seguros (SISS), apenas mediante credenciamento, de acordo com o normativo específico. 

Entretanto, a própria SUSEP, em webinar realizado pela entidade recentemente, destacou como as startups, pequenas e médias empresas podem se beneficiar do open insurance.  

>> Leitura recomendada: API open banking – descubra o que é, como aplicar, dicas de segurança e padronização 

3 pilares fundamentais do open insurance 

O open insurance está fundamentado em 3 pilares. São eles: open innovation; experiências digitais e novos modelos de negócio  

Open Innovation 

De acordo com Henry Chesbrough, professor da universidade americana Berkeleyopen innovation ou inovação aberta é: “Um processo distribuído de inovação que envolve a gestão proposital do fluxo de conhecimento além das fronteiras da organização”.  

Ou seja, partindo do princípio de que duas cabeças pensam melhor do que uma, compartilhar dados e informações entre organizações fomenta os processos de inovação, justamente porque permitem uma ampliação da visualização de um cenário, além de ser possível combinar a expertise de uma outsourcing de TI para a criação de um novo produto, por exemplo.  

Experiências Digitais 

A pandemia do novo coronavírus afetou diversos setores da sociedade e também intensificou a necessidade por produtos e experiências digitaisque, de alguma forma pudesse aproximar o público com os serviços necessários.  

Portanto, os movimentos de transformação digital começam a se intensificardeixando de ser um diferencial, para se tornar uma necessidade competitiva dentro das empresas. Assim, a combinação da melhora das experiências digitais do consumidor, com a tecnologia e análise de dados também está dentro dos objetivos do open insurance e consequentemente do open finance.  

Novos Modelos de Negócios 

Como já comentamos, o surgimento de novos modelos de negócio é, na realidade, uma consequência dessa iniciativa de open finance 

No caso específico do open insurance, tornar os produtos das seguradoras mais acessíveis, agilizar e otimizar processos também faz parte desse quadro de inovação.   

>>Leitura recomendada: Open Investment: como deve funcionar e quais são os benefícios para o mercado de capitais

Benefícios vs. Desafios 

A consultoria INNOPAYespecializada em transações digitais, indicou nessa análise quais são os aspectos fundamentais que devem fazer parte do open insurance:  

Otimização: utilização das APIs para facilitar a conexão com outros sistemas 

Coleta de dados: coleta e análise de dados por meio de tecnologias e automações, com o objetivo de criar soluções e produtos personalizados.  

Integração com outras empresas: permitir a criação de novos modelos de negócio, por meio das APIs, que são capazes de conectar os dados disponíveis no open insurance, de acordo com o princípio da reciprocidade. 

Desenvolvimento de produtos e serviços: produção de soluções em um contexto B2B2C, explorando as informações disponíveis no ecossistema.  

Fornecimento de produtos, serviços e dados: o open insurance vai permitir que empresas se especializem no fornecimento de soluções para outras empresas do mercado segurador 

Com isso mente, os principais benefícios para os usuários do open insurance são:  

  • Cidadania financeira: a expectativa com o open finance é que novos produtos possam surgir no mercado, dentre eles, aplicativos que facilitem o controle financeiro ou mesmo que popularizem e aumentem a adesão de serviços bancários ou de seguradoras. 
  • Inovaçãoo princípio da reciprocidade tende a atrair a atenção de outros players, além da categoria S1 e S2aumentando a concorrência e consequentemente a inovação.    
  • Agilidade e precisãopor conta dos ecossistemas estarem integrados, é necessário que as operações se tornem mais ágeis, tanto para cumprir os SLAs determinados pelos órgãos reguladores, quanto para oferecer melhores serviços. 
  • Melhoria da experiência do consumidorcomo já comentamos, um dos maiores benefícios da análise de dados – fornecidos com o consentimento do cliente, claro – é justamente a melhoria da experiência do consumidor, por meio de ofertas personalizadas 
  • Integração de serviços: pensando na gama variado de serviços que existem no mercado segurador, será possível contratar um tipo de seguro-viagem em uma empresa, a assistência média em outra e um seguro-bagagem em uma terceira. Ou seja, ao realizar uma viagem, por exemplo, você pode escolher os itens necessários de empresas variadas, de acordo com o que for mais interessante ou tiver melhor custo-benefício.  

Nesse momento de pré-implementação do open insurance, os maiores desafios estão relacionados à segurança e uso de dados. Justamente, porque esses ecossistemas envolvem informações sensíveis é necessário garantir que eles sejam tratados da forma correta.  

Thiago Barata, coordenador da SUSEPcomenta sobre a vantagem do compartilhamento de dados e como Lei Geral de Proteção de Dados faz parte desse processo. “A partir da Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, a sociedade definiu que de fato o consumidor passou a ser o ‘dono dos seus dados’. Logo, o Open Insurance surge para operacionalizar essa nova realidade no setor, convergindo os interesses de todos os envolvidos no sistema. Com o novo ambiente, as empresas do setor terão um sistema seguro e eficiente para o compartilhamento de informações requisitadas pelo cliente, estando assim em compliance com a Lei e a nova regulamentação”.   

Falando no uso de dados, entramos então em outro tema importante: a jornada de consentimento. De acordo com a LGPD, consentimento é a “manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada”.  

Assim, ngestão de consentimento, são observados alguns itens essenciais:   

  • O que o usuário X consentiu?  
  • O que o usuário X não quer mais consentir?  
  • Quais consentimentos o usuário X revogou e como isso te afeta? 

Dessa forma, ela garante que as etapas de autenticação entre as instituições receptoras e transmissoras sejam cumpridas, para que esses dados só possam ser fornecidos pelos titulares.  

Outro desafio é a padronização no desenvolvimento das APIs, já que elas impactam diretamente na gestão do consentimento e na transação segura das informações. Portanto, é necessários que essas regras estejam bem definidas pelos órgãos reguladores 

>>Leitura recomendada: Open banking e LGPD: como proteger as informações dos seus clientes

Cronograma de implementação do open insurance 

De acordo com a SUSEP, a implementação do open insurance está dívida em 3 fases, que deve ocorrer entre 2021 e 2022.  

Fase 1 – Open data: dados abertos de seguros – 15/12/2021 

  • Dados públicos das sociedades supervisionadas 
  • Canais de atendimento  
  • Produtos disponíveis  
  • Marketplace 

Fase 2 – Compartilhamento de dados pessoais  01/09/2022 

  • Cadastro de clientes e representantes;  
  • Movimentações dos clientes relacionadas a produtos;  
  • Registro de dispositivos eletrônicos 
  • Dados individuais de clientes; compartilhado apenas mediante consentimento 

Fase 3 – Efetivação de serviços – 01/12/2022 

  • Contratação;  
  • Endosso;  
  • Resgate ou portabilidade; 
  • Pagamento de sorteio; 
  • Aviso de sinistro 
  • Foco na melhoria da experiência do consumidor.  

No que diz respeito ao compartilhamento dos dados, o cliente poderá escolher com quais entidades deseja compartilhar determinados dados, assim como revogar esse consentimento a qualquer momento.  

Case OPUS: transformação digital no mercado segurador  

Como você pode acompanhar nesse post, a transformação digital aliada ao open insurance, possui um grande potencial de transformar esse mercado, ainda mais quando o assunto é agilidade e melhoria de processos 

Abaixo, você confere o case de uma empresa especializada em seguros para automóveis queapesar de partir de um ponto de vista diferente do apresentado nesse post, também mostra como a transformação digital com foco no cliente pode ser determinante para a evolução das empresas 

No cenário pré-transformação digital as apólices de seguro eram emitidas de forma centralizada. O consultor de seguros inseria os dados dos clientes no computador, enviando as informações para a seguradora, de forma 100% manual. O kit segurado (composto pelo contrato, carteirinha e os documentos da apólice), eram despachados posteriormente para o beneficiário.  

Esse processo acabava gerando um gargalo, já que o cliente, ao adquirir um veículo novo, saia da concessionária desprotegido, já que havia essa demora na aquisição do kit segurado. 

Diante nessa necessidade identificada, teve início a melhoria da jornada do usuário, para que ele possa adquirir um veículo novo, já com o seguro garantido. 

Assim, a seguradora optou por realizar algumas parcerias para alocar um consultor especializado na concessionária, para fazer o atendimento e garantir que o cliente saísse de lá com o kit segurado.  

Para tornar esse processo uma realidade, a OPUS desenvolveu um produto que se comunicava em tempo real com a seguradora e com os órgãos regulamentadores do segmento para que o kit segurado pudesse ser entregue com agilidade.  

O desenvolvimento do MVP (produto viável mínimo) desse produto foi concluído em 70 dias e a implementação levou apenas 6 meses, levando transformação digital e agilidade para a seguradora.  

Após a implementação da solução desenvolvida pela OPUS a seguradora aumentou de forma expressiva a sua rentabilidade. Subindo do 24º para o 9º lugar no ranking de em termos de vendas e lucratividade no ranking da categoria.  

Além disso, esse tipo de venda descentralizada nas concessionárias foi considerada uma ação pioneira para o setor e é um diferencial dessa seguradora até hoje. 

[Evento] Open Banking Week

Como vimos nesse post, o open banking e o open insurance estão diretamente relacionados. Pensando nisso, você não pode perder o Open Banking Week, um evento 100% on-line e gratuito, que rola entre os dias 07 e 11 de junho, criado para discutir sobre o open banking e o futuro do sistema financeiro.

A OPUS participará de dois painéis do evento, discutindo junto com especialistas temas relevantes sobre o assunto. Para participar é só se inscrever no site do evento!

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