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O Open Data é o futuro do Open Finance? Descubra!

9,1 mil terabytes. Essa é a quantidade estimada de dados produzidos em 6 minutos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Gartner em parceria com a Domo. Isso representa cerca de 2 milhões de stories publicados, 1,2 milhão de pessoas em reuniões no Zoom, 400 mil aplicações para vagas de emprego no LinkedIn e 250 milhões de mensagens trocadas no WhatsApp. Essas e outras informações são utilizadas por empresas de todos os segmentos, como forma de traçar perfis mais realistas de seu público-alvo, com o objetivo de elaborar estratégias mais efetivas. Então, quando pensamos em Open Data, o que esse movimento quer dizer?

A realidade é que esse termo já foi utilizado por movimentos que desejavam que os governos fossem mais transparentes, de forma que os cidadãos pudessem ter acesso a informações relevantes sobre a máquina pública. Entretanto, esse não é o tema do post de hoje, já que, recentemente, esse termo passou a ter uma aplicação um pouco diferente.

Para entender melhor o que é Open Data – ou Open Everything, como também é chamado, é necessário retomar dois conceitos: Open Banking e Open Finance.

– O Open Banking é uma iniciativa mundial, que permite que clientes autorizem de forma segura o compartilhamento de seus dados com instituições financeiras que participam desse ecossistema, com o objetivo de obter melhores produtos e serviços.

– O Open Banking Brasil foi criado utilizando outros modelos, como o do UK, como inspiração, mas com um escopo de dados maior. Isso fez com que o nosso Open Banking evoluísse e passasse a incluir o Open Insurance e o Open Investment, que, atualmente, estão sendo desenvolvidos pela Susep e pela ANBIMA, respectivamente. Essa evolução recebeu o nome de Open Finance, que engloba todos esses setores.

Portanto, o Open Data pode ser considerado uma expansão do Open Finance. A ideia é criar um ecossistema de compartilhamento de dados (de forma segura, com autorização do cliente e seguindo as normas da Lei Geral de Proteção de Dados –LGPD) que chegue em outros setores da economia.

Isso porque, o uso de dados tem potencial para alavancar e melhorar uma série de processos de atendimento ao cliente, desenvolvimento de novos produtos e serviços, justamente porque possibilita um entendimento mais amplo das necessidades do cliente. De acordo com a professora da Universidade Macquarie Elizabeth Sheedy, especialista no meio financeiro, muitas instituições estão criando padrões e traçando melhor os perfis com a ajuda das técnicas do big data.

Pensando nisso, vamos falar nesse post sobre evolução do Open Finance para o Open Data e como está esse movimento em países como Inglaterra e Austrália, assim como os princípios éticos envolvidos no uso de dados.

Open Data: a evolução do Open Finance

Open Data, ou em tradução livre “dados abertos”, é um conceito complementar ao Open Banking e Open Finance, que pode englobar dados financeiros, da saúde, telecomunicações, administração pública, energia, mobilidade, transportes, entre outros.

Isso significa que em um ecossistema de Open Data há uma série de possibilidades de criação de novos modelos de negócios e inovações que vão facilitar a vida do consumidor. Só de pensar que, por exemplo, você poderia utilizar um único aplicativo para gerenciar todos as suas despesas, sem precisa preencher uma série de formulários, já dá para ter uma ideia das facilidades do Open Data.

Para se ter uma ideia, o Brasil está caminhando para a Fase 3 de implementação do Open Banking (que foi dividia em etapas, com conclusão prevista para 2022) e o Open Insurance, deve iniciar a Fase 1 em dezembro desse ano. Isso significa que há ainda muito aprendizado a ser adquirido até que mais mercados possam ser incorporados em um ecossistema de Open Data.

De acordo com essa reportagem da revista Exame, um dos maiores desafios em relação a construção de um ambiente amplo e multissetorial de dados abertos é a interoperabilidade, que nada mais é do que a capacidade de diversos sistemas e organizações trabalharem em conjunto, de modo a garantir que pessoas, organizações e sistemas computacionais interajam para trocar informações de maneira eficiente.

Será necessário evoluir também na segurança e proteção de dados, com o desenvolvimento de políticas de identidade digital e constante evolução e atualização da Lei Geral de Proteção de Dados, para que ela seja capaz de capturar novos casos e cenários, a fim de apoiar um ambiente de dados totalmente aberto. Vale lembrar que Open Banking e LGPD, no Brasil, já estão em concordância.

Além disso, a reportagem também destaca a importância que a opinião pública deve ter em alguns segmentos. No Reino Unido, por exemplo, uma consulta pública realizada em relação a utilização dos dados de saúde levantou uma discussão que polarizou opiniões entre aqueles que eram a favor e outros que acreditam que esse tipo de dado pode ser usado com fim discriminatório.

1 ano de Open Banking

Ética dos dados no Open Data

Isso chama atenção também para uma discussão sobre a ética dos dados. O uso cada vez mais recorrente dos dados e a crescente dependência dos algoritmos, que acabam interferindo no poder de escolha e na tomada de decisões, acabam colocando temas como justiça, responsabilidade e respeito pelos direitos humanos em evidência

Por isso, está presente nas diretrizes do Open Banking Brasil, por exemplo, regras de consentimento e autorização, por parte do cliente, para o uso de dados. Além disso, a LGPD deixa claro que a requisição do consentimento deve ser transparente, informando quais dados serão utilizados e para qual finalidade.

Entretanto, os avanços do Open Finance e, futuramente, com o Open Data, esse tipo de discussão deve continuar presente na sociedade, para garantir a segurança e privacidade de todos.

Como o Open Data deve funcionar?

Apesar dos desafios, não é impossível imaginar que o Open Data possa se tornar uma realidade, que permite o compartilhamento de dados de forma fluida, segura, eficiente, padronizada e multissetorial.

É importante deixar claro que esse tipo de evolução só é possível porque a tecnologia exerce um papel fundamental dentro desse tipo de ecossistema. No Open Data, há uma série de setores que precisam se comunicar de forma segura, o que acontece por meio de APIs (Application Programming Interface).

As APIs atuam como uma ponte, permitindo a comunicação entre plataformas. Essa “ponte” só funciona porque essas APIs são compostas por instruções e padrões de programação que são capazes de absorver informações com linguagem diferentes.

Dessa forma, não existe uma única plataforma que poderá ser utilizada por todas as instituições participantes, mas sim APIs abertas – e desenvolvidas pelas próprias instituições ou por empresas terceirizadas – que vão permitir a troca de informações e que outras empresas possam desenvolver aplicações conectadas aos sistemas financeiros.

Também é importante ter em mente que esse movimento “Open”, por assim dizer, parte do princípio da reciprocidade. Ou seja, só é possível ter acesso aos dados se você também os fornecer.

Justamente por isso, as APIs são construídas para serem abertas, simples, escaláveis, seguras e sustentáveis, para que desenvolvedores consigam ter acesso às informações necessárias, fazendo as ligações de forma correta, para aproveitar os benefícios desse ecossistema.

Além disso, ecossistemas como o Open Data permitem que a economia de APIs se desenvolva. De acordo com a consultoria Gartner,“a API economy pode ser um facilitador para empresas que querem transformar uma organização ou negócio em uma plataforma, que por sua vez, multiplica a criação de valor, já que permite que os ecossistemas de negócios dentro e fora da empresa cruzem dados entre usuários, facilitando a criação e troca de bens e serviços, para que todos os participantes do ecossistema sejam capazes de gerar valor”.

Existem duas formas de atuar nesse tipo de economia:

  • As empresas podem “expor os próprios serviços e dados por meio de APIs”, para que os parceiros possam consumir essas informações e construir novas ofertas.

ou

  • As empresas podem “consumir APIs para acessar dados e serviços de terceiros”, o que permite que eles adicionem ao seu portfólio novas ofertas, com mais agilidade.

Ou seja, com a abertura desse leque de possibilidades, os consumidores vão poder escolher as instituições que melhor atendem às suas necessidades. Isso significa que, nem sempre, o critério de escolha será o mais barato, mas sim aquele que oferece mais facilidade e segurança.

Para as organizações, o Open Data acrescenta inteligência ao processo de uso de dados, gerando mais competitividade, além de proporcionar um crescimento e amadurecimento de mercado.

>> Leitura recomendada: API open banking: como funciona e dicas de segurança

Como os uso de dados vai impactar o dia a dia das instituições?

O Open Data, como o próprio nome já sugere, joga luz a um tema que já vem sendo bastante discutido nos últimos anos: o uso de dados para guiar as estratégias das empresas.

Isso porque, como comentamos no início desse artigo, o avanço tecnológico aumentou de forma considerável a quantidade de informações que nós produzimos, mas também trouxe ferramentas que nos ajudam a extrair insights dessas informações.

Pensando na famosa frase “data is the new oil”, o petróleo em sua forma pura tem pouca utilidade e valor, somente quando refinamos essa matéria prima que ela se transforma. O mesmo acontece com os dados.

De acordo com esse artigo do Meio e Mensagem, “O valor dos dados aumenta conforme o machine learning evolui, e essa evolução se dá a partir da coleta de dados. Mais informações alimentam a inteligência de negócios e geram mais relevância, em um ciclo de expansão cada vez mais acelerado”.

A partir disso, podemos falar dos conceitos: big data e smart data.

  • Big data é um compilado de dados obtidos de maneira tradicional ou digital, dentro e fora das organizações, que representa uma fonte de informações para descoberta e análise de um cenário, dentro de um contexto.
  • Smart data se refere a parte de refinação dos dados, para de fato, obter as informações valiosas.

Portanto, é por meio de uma fonte de dados (big data) que as informações serão colhidas e passarão por uma transformação, que permite às instituições conhecer mais detalhes sobre o seu público.

Entretanto, é preciso estar atento para não reduzir o seu público a uma mera tabela de dados. Essas informações, na realidade, são pessoas com desejos, necessidades e motivações, que querem se conectar e ser compreendidos. Portanto, assim como comentamos sobre a criação de novos modelos de negócio no Open Banking, a ideia é criar experiências com menos atrito, mais inteligentes e ágeis.

Open data no UK e na Austrália

O Reino Unido e a Austrália implementaram o Open Banking em 2018 e 2019, respectivamente. Portanto, muitas das inciativas que se seguiram acabaram usando a experiência nesses países como exemplo. Aliás, o tema do Open Data, que estamos falando nesse post, foi levantado justamente por conta das discussões que estão acontecendo nesses países.

A reportagem da revista Exame mencionada anteriormente, trouxe como exemplo os planos da União Europeia para o Open Data. Segundo a matéria, lá foi publicado um relatório chamado “A European Strategy for Data”, que, a princípio, faz apenas algumas recomendações sobre o tema, ou seja, não há nenhuma norma definida ainda.

A ideia é criar um ambiente adequado até 2030, no qual os dados abertos possam prosperar, envolvendo os seguinte setores: Finanças (movendo para o Open Finance); Indústria (Manufatura); Mobilidade; Energia; Meio Ambiente; Agricultura; Administração pública; Habilidades e qualificação; Ciências (pesquisas científicas); e Saúde.

Abaixo vamos comentar sobre os caminhos do Open Data no UK e na Austrália.

Open data no UK

A iniciativa de dados britânica, chamada de Smart Data, deve avançar com o desenvolvimento do Open Finance e adicionar (a princípio) o setor de telecomunicações e energia. Outros segmentos como educação, varejo, transporte e saúde podem ser contemplados futuramente.

De acordo com essa reportagem, um grupo chamado Coalizão por uma economia digital (Coalition for a Digital Economy (Coadec)), elaborou uma carta, assinada por diversos tipos de instituição, sobre como o Smart Data pode potencializar o Open Finance e mudar a economia britânica.

Eles alegam que o Reino Unido, enquanto pioneiro na implementação do Open Banking, precisa continuar inovando e investindo no desenvolvimento desse ecossistema, para “não ficar para trás”. Alguns detalhes dessa carta incluem a remoção de elementos que acabam atrapalhando o fluxo de autenticação e compartilhamento de dados em tempo real.

Permitir que os britânicos compartilhem mais os seus dados pode aumentar a taxa de GDP (Gross domestic product: valor criado por meio da produção de bens e serviços) entre 1-1,5% até 2030, de acordo com relatório da da McKinsey, justamente por conta dos produtos e serviços que podem ser criados, a partir da inovação que um ecossistema Open Data possibilita.

Adam Jackson, diretor de políticas da Innovate Finance, afirma: “O Open Banking alimentou a inovação financeira no Reino Unido. À medida que a adoção se espalha em outros países, ir mais longe e mais rápido com o Smart Data manteria o Reino Unido como um foco de inovação. O Smart Data Right, como foi chamado pela Coadec na carta, seria o melhor próximo passo para maximizar as possibilidades de uma economia de Smart Data, de forma que as pessoas possam ter controle de seus dados”.

A carta proposta pela Coadec apresenta 5 recomendações para resolver problemas do Open Banking no UK. São elas:

  1. Colocar os clientes em primeiro lugar, criando um novo direito de compartilhamento de dados e removendo o prazo de 90 dias da regra de reautenticação.
  2. Colocar em prática um conjunto claro de Acordos de Nível de Serviço em torno do desempenho da API ASPSP.
  3. Maximizar as oportunidades por meio de tecnologias baseadas em princípios inteligentes, para regulamentar o Open Finance.
  4. Criar uma estrutura de governança melhor, para proporcionar mais colaboração entre a FCA a Digital Identity Unit e ICO.
  5. Construir uma estrutura de governança coerente, que inclua a proposta de Smart Data.

Para conferir os próximos passos do Smart Data britânico, clique aqui.

Open Data na Austrália

A Austrália, já pensou desde o início da implementação do Open Banking por lá, na possibilidade de ampliar o escopo de dados, com a criação do Consumer Data Rights (CDR), que prevê a entrada dos segmentos de energia e telecomunicações como os próximos a serem incluídos no ecossistema.

O CDR dá aos consumidores maior acesso e controle sobre seus dados, de forma que eles possam comparar produtos e serviços, aumentando a concorrência e fomentando a inovação. Além disso, o CDR é o documento que norteia todas as diretrizes do ecossistema Open australiano, como o escopo de dados permitido para cada setor.

>>Leitura recomendada: Inovação disruptiva: oportunidade de crescimento e novos negócios

O tempo de inovar chegou. Conheça o OPUS Open Finance

Como vimos nesse post, o avanço desse ecossistemas vai definir o futuro! Além disso, fica claro o papel que a tecnologia tem na criação desse ambiente, garantindo a segurança do compartilhamento das informações, além de proporcionar também os novos modelos de negócio! A OPUS Software está preparada para atender as necessidades desse segmento, seja com o OPUS Open Banking ou para desenvolver o seu projeto de inovação!

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