Não é novidade que a tecnologia está revolucionando o mercado financeiro. Fintechs como Nubank, Pagseguro e XP Investimento atingindo valuations bilionários no Brasil e no mundo, estão aí para provar. No entanto, no mundo dos grandes bancos, essa transformação digital está apenas começando. Com a ideia de que os dados pertencem aos usuários, o open banking promete revolucionar ainda mais o mercado.

Mas, o que é open banking?

Em linhas gerais, open banking é um conceito de inovação aberta no qual o banco não monopoliza as informações financeiras de um cliente, mas compartilha através de APIs os dados dos clientes com outras empresas — desde que o cliente autorize, é claro. Dessa forma, o banco permite que terceiros utilizem esses dados para criar produtos e serviços inovadores.

Pense, por exemplo, em um software que ajuda na organização financeira. Ele pode, automaticamente, coletar e organizar as movimentações bancárias de um cliente e ajudá-lo a se planejar. Aplicativos como o GuiaBolso fazem esse trabalho. Porém, o processo acontece com o cliente dando autorização para o aplicativo entrar em sua conta e ler o extrato do banco. No open banking, esse processo poderia ser muito mais eficiente e seguro caso a empresa tivesse acesso direto às APIs de extrato do banco.

A economia das APIs e o Open Banking

Para entender o open banking é necessário discutir os modelos de inovação aberta — o que nos leva diretamente à economia das APIs. A sigla API vem do inglês “Application Programming Interface” e refere-se a um conjunto de rotinas, protocolos e padrões que permitem diferentes componentes de software se comunicarem entre si. Com uma API, aplicações de terceiros podem se comunicar diretamente com a sua.

Vale notar que há ao menos três tipos de APIs e todas elas podem funcionar, em diferentes níveis, para o open banking. A primeira é a API aberta, disponível para qualquer um que queira desenvolver uma solução conectada a seu software. Já a segunda, privada, é aberta apenas a parceiros oficiais. Por último, há a interna que, como o nome sugere, é usada mais para diferentes times dentro de uma mesma empresa. Quanto mais aberta é uma API, mais próxima do conceito de open banking ela está.

A Economia das APIs, portanto, é a ideia que reflete como sistemas com APIs abertas viabilizam novos modelos de negócios ao permitir que terceiros desenvolvam soluções com baseadas em seus serviços. No caso do open banking, o conceito é o mesmo, porém considerando que as APIs são dos bancos e os dados são as informações financeiras de seus clientes.

No open banking, os dados são tudo. No entanto, em vez de ficarem centralizados nos bancos, os clientes podem compartilhar com quem quiserem. E, por isso, é impossível falar de open banking sem falar de regulação e proteção de dados.

O que a privacidade e regulações têm a ver com Open Banking

Dados, por si só, são um tema sensível e que demanda extremo cuidado. Mas, quando falamos de dados bancários, o assunto merece ainda mais cuidado e debate. Afinal, para que as pessoas possam confiar suas informações financeiras em empresas, segurança é essencial. Dessa forma, os debates em torno da regulação do open banking são intensos em vários países.

Um dos principais exemplos nesse campo é a União Européia, com uma legislação chamada PSD2 (Diretiva Europeia de Serviços de Pagamento, na sigla em inglês). Ela determina que os bancos devem dividir as informações bancárias dos clientes com dois tipos de empresas: as AISP (Provedores de Serviços de Informação de Conta) e PISP (Prestadores de Serviços de Iniciação de Pagamento).

As empresas AISP são aquelas que apenas têm acesso a informações básicas para análise de controle de gastos, análise de crédito e serviços informacionais. Já as PISP, com mais riscos e potencial, podem fazer pagamentos e transferências em nome do usuário.

Na legislação PSD2, da Europa, ambos os tipos de empresa necessitam de consentimento do cliente e ganham acesso às informações por meio de APIs. Para que isso funcione, a legislação bancária exige que os bancos padronizem seus protocolos de acesso a dados, facilitando o trabalho dos terceiros.

Na contramão da Europa, há outras regiões, como Hong Kong, que têm legislação mais ao lado dos bancos, permitindo que eles escolham com que empresas vão compartilhar os dados dos clientes. A maior autonomia da Europa tem respaldo em outra legislação do continente, a GDPR (Regulação Geral de Proteção de Dados), que unifica as leis de proteção de dados dos clientes e que trabalha com a ideia de que o indivíduo é dono de seus dados — portanto, ele deve ter o direito de compartilhá-los com outras empresas.


Open banking no Brasil

Engana-se quem pensa que a discussão legislativa do open banking seja exclusividade de países europeus. No Brasil, o Banco Central já estuda como regular tais medidas. A expectativa, inclusive, segundo banqueiros e empreendedores de fintechs disseram ao jornal Valor Econômico, é que o Brasil tenha uma legislação mais delimitada e rigorosa.

Independente de como a lei seja no país, o fato é que o open banking é uma realidade no mundo e, em breve, chegará aqui. Os bancos não serão mais os únicos donos das informações financeiras de seus clientes. As informações serão compartilhadas por meios de APIs e protocolos avançados de segurança.

Quem ganha com o open banking?

Com a disrupção do open banking, o acesso às informações dos bancos por terceiros se torna mais rápido e barato, possibilitando o desenvolvimento de novos negócios e ecossistemas digitais. Ao longo do tempo, isso se reverte em um mercado mais competitivo e com melhores ofertas de serviço para os consumidores.

Para os bancos, esse movimento tem lados positivos e negativos. Por um lado, ele abre a oportunidade para novas fontes de receita, explorando a monetização de seus serviços e APIs. Por outro lado, o compartilhamento das informações dos clientes dá força para concorrentes e novos entrantes.

As fintechs serão as mais beneficiadas, devido à quebra de uma enorme barreira de entrada para o desenvolvimento de soluções.

No contexto do open banking, para viabilizar estratégias digitais vencedoras é fundamental ter uma equipe de TI qualificada. Na Opus temos diversos clientes que atuam no setor financeiro, e os ajudamos a desenvolverem as melhores soluções para colocá-los sempre à frente da concorrência.

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