Open banking: descubra o que é, como funciona, os principais benefícios e desafios

De acordo com o Banco Central (BC), open banking, ou Sistema Financeiro Aberto (SFA), é: “o compartilhamento padronizado de dados, produtos e serviços por meio de abertura e integração de sistemas, com o uso de interface dedicada para essa finalidade, por instituições financeiras, instituições de pagamento e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BC, de forma segura, ágil e conveniente”.

Em outras palavras, o open banking, é uma iniciativa que permite que os titulares possam autorizar o compartilhamento de seus dados financeiros onde e quando desejarem. Para as empresas, é uma oportunidade de negócio para criar produtos e serviços inovadores, além de melhorar a experiência do cliente.

Em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, a demanda por serviços digitais se intensificou, justamente por conta do isolamento social. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sensor Tower, seis bancos figuravam na lista dos 150 aplicativos mais baixados pelos brasileiros, na última semana de março e começo de abril – época que ficou marcada no Brasil pelo início da pandemia. Até o momento, esse hábito não se alterou muito.

De maneira geral, empresas com baixo grau de maturidade digital enfrentaram um verdadeiro desafio durante a pandemia ao tentar se adaptar às novas necessidades do mundo. Aderir a transformação digital deixou de ser uma vantagem competitiva, para se tornar uma necessidade latente, que vai definir (ou já definiu) o cenário de muitas empresas daqui para frente.

Seguindo essa linha de raciocínio, o open banking pretende trazer uma verdadeira revolução digital para o mercado financeiro. Para saber como o open banking vai funcionar, as fases de implementação, benefícios e desafios é só continuar acompanhando esse post:

O que é open banking?

Open banking é um conceito inovador, que através do uso da tecnologia de APIs, permite que os clientes possam autorizar o compartilhamento de suas informações financeiras com outras instituições ou aplicativos.

Dessa forma, os bancos e as instituições financeiras participantes abrem mão do monopólio de informações em troca de oportunidades de inovação e melhoria na prestação de serviços. Afinal, um dos principais objetivos do BC com essa iniciativa é justamente tornar esse mercado mais competitivo, ágil e inovador.

Assim, quando pensamos nos impactos dessa novidade no dia a dia, podemos analisá-los por 3 ângulos diferentes:

– Cliente: começando pelo mais óbvio, os clientes poderão comparar taxas e serviços com mais facilidade, escolher os melhores serviços, obter melhores ofertas de crédito, receber um atendimento mais personalizado e assumir o controle do uso de suas informações financeiras. Porém, é importante ter em mente que esses são apenas os impactos iniciais, afinal existem muitas inovações que poderão surgir com o open banking;

– Negócio: como já comentamos no item acima, o maior acesso aos dados dos clientes permite a criação de novos modelos de negócio, permitindo uma atuação mais estratégica dessas instituições que poderão identificar com mais facilidade as necessidades de seus clientes, transformando oportunidades em negócios rentáveis;

– Tecnologia: o papel da tecnologia já começa no momento da implementação do open banking (que no Brasil já está em funcionamento desde 01 de fevereiro) em particular no desenvolvimento e gestão das APIs open banking, garantindo que as requisições possam ser seguras, seguindo todas as regulamentações do BC. Além disso, entrará em ação também no desenvolvimento das aplicações que vão tornar viáveis as inovações, que comentamos acima.

É importante ter em mente também que existem diversas possibilidades que podem evoluir para a criação de ecossistemas de compartilhamento de informações a partir da consolidação do open banking. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa da Equinix, intitulada THE GLOBAL INTERCONNECTION INDEX (GXI) VOLUME 4, em 2025 80% dos líderes digitais verão o impacto positivo da conexão com vários ecossistemas, inclusive agregando mais valor para os clientes finais.

Uso de dados no open banking

O uso de dados, por si só, já é um tema sensível e que demanda muito cuidado. Mas, quando falamos de dados bancários, o assunto merece ainda mais atenção. Afinal, como você já pode perceber os dados financeiros são os grandes protagonistas do open banking. Portanto, discussões sobre segurança, privacidade e uso de dados são muito normais. Inclusive, países que já implementaram essa iniciativa passaram por isso.

Um dos principais exemplos nesse campo é a União Europeia, com uma legislação chamada PSD2 (Diretiva Europeia de Serviços de Pagamento, na sigla em inglês). Ela determina que os bancos devem dividir as informações bancárias dos clientes com dois tipos de empresas: as AISP (Provedores de Serviços de Informação de Conta) e PISP (Prestadores de Serviços de Iniciação de Pagamento).

As empresas AISP são aquelas que têm acesso a informações financeiras, e as utilizam para análise de controle de gastos, análise de crédito e serviços informacionais. Já as PISP, podem iniciar pagamentos através de transferências em nome do usuário.

Na legislação PSD2, da Europa, ambos os tipos de empresa necessitam de consentimento do cliente e ganham acesso às informações por meio de APIs. Para que isso funcione, a legislação bancária exige que os bancos padronizem seus protocolos de acesso a dados, facilitando o trabalho dos terceiros.

O open banking Brasil segue as diretrizes do Banco Central e da Lei Geral de Proteção de Dados, que já vigora no país desde 2020, com o objetivo de garantir a proteção, privacidade e o bom uso dessas informações. Além disso, o open banking terá o Banco Central como responsável pela governança e o mercado como autorregulador das instituições no dia a dia, sendo, claro, supervisionados pelo BC.

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Como o open banking funciona?

O open banking funciona por meio de APIs abertas. Vamos imaginar a seguinte situação: você está procurando por um empréstimo, mas não está satisfeito com as condições que o seu Banco X está te oferecendo. Portanto, você quer fazer outras cotações em financeiras e fintechs. Para fazer isso, você pode autorizar que essas instituições tenham acesso aos seus dados lá do Banco X. Assim, a comunicação entre o Banco X, financeiras e fintechs que você optou por cotar acontecerá por meio das API open banking.

Uma API (Application Programming Interface, ou, em português, Interface de Programação de Aplicações) funciona como uma “ponte”, que é composta por instruções e padrões de comunicação que são capazes de transportar informações entre sistemas e ambientes que usam diferentes tecnologias e, portanto, facilitar essa comunicação entre o Banco X e a fintech A, por exemplo.

Trazendo para o nosso dia a dia, ao pesquisarmos um endereço no Google Maps, no próprio aplicativo, temos a opção de solicitar um serviço de transporte, que é feito por uma outra empresa. A integração entre essa empresa e o Google, no aplicativo, é realizada por meio de diversas APIs.

Além disso, a tecnologia das APIs open banking abre portas para uma série de inovações, com a criação de novos modelos de negócio, novos aplicativos e serviços, como por exemplo uma aplicação que te permita acessar informações de mais de uma conta bancária em um mesmo ambiente ou de finanças pessoais, para que você possa receber dicas e insights para economizar, investir e por aí vai.

Do ponto de vista mais técnico, do funcionamento e estrutura dessas APIs open banking, podemos destacar 3 itens:

1.      Padronização e Segurança

No Brasil, o órgão regulador do Open Banking é o Banco Central, que define as diretrizes do que precisa ser feito, para que a comunicação entre as APIs possa ocorrer de forma fluída. Portanto, é preciso se adequar às diretrizes do BC e respeitar os princípios e boas práticas de construção de APIs. Até mesmo porque, essas regras garantem também a proteção de dados dos usuários.

2.      Reciprocidade

No princípio da reciprocidade, só é possível ter acesso aos dados se você também os fornecer. Justamente por isso, as APIs são construídas para serem abertas, facilitando o trabalho dos desenvolvedores, que precisam ter acesso as informações necessárias, fazendo as ligações de forma correta e aproveitando o que o open banking tem a oferecer às empresas.

3.      Microsserviços

A gama de serviços financeiros disponíveis todos os dias no mercado é imensa. Porém, eles estão sujeitos a demandas muito diferentes. Por exemplo: alguns são usados a todo momento, por uma grande quantidade de pessoas; outros são usados mais esporadicamente, em menor volume, mas não deixam de ser essenciais para as instituições. Então, é natural que bancos e instituições financeiras optem por desenvolver as APIs em padrões tecnológicos compatíveis com o dinamismo dessa demanda, como a arquitetura de microsserviços. Em síntese, essa abordagem é um substituto do sistemas monolitos, justamente porque prega a descentralização de um bloco único de serviços para unidades “micro”.

Assim, os serviços oferecidos podem estar estruturados para operar de forma independente, facilitando a atualização, manutenção ou ajustes na escalabilidade, evitando atrasos, lentidão e indisponibilidades desnecessárias.

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Quais são as fases de implementação?

Por conta da pandemia e da regulamentação do PIX em 2020, o Banco Central adiou o calendário de implementação do open banking para 2021. O processo foi divido em 4 fases:

Fase 1 – 01/02/2021

Na primeira fase os participantes disponibilizam ao público informações sobre canais de atendimento e detalhes sobre os produtos e serviços que já oferecem.

Nesse momento, não há compartilhamento de dados de nenhum cliente.

Fase 2 – 15/07/2021

Nessa fase os clientes, se quiserem, poderão solicitar o compartilhamento de seus dados cadastrais, informações sobre transações em suas contas, cartão de crédito e produtos de crédito com outras instituições participantes.

O compartilhamento de dados é feito apenas mediante consentimento, com finalidades específicas e por um prazo definido. O titular dos dados pode, inclusive, cancelar essa autorização a qualquer momento.

Fase 3 – 30/08/2021

Aqui, surgem as possibilidades de compartilhamento de serviços de iniciação de transações de pagamento e encaminhamento de proposta de operação de crédito.

Como já comentamos acima, é muito provável que a partir desta fase que os novos produtos e serviços comecem a surgir.

Fase 4 – 15/12/2021

Na quarta e última fase dados sobre outros serviços financeiros começam a fazer parte do escopo do open banking. Assim, os clientes poderão autorizar o compartilhamento de suas informações de operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário, bem como acessar informações sobre as características dos produtos e serviços com essa natureza disponíveis para contratação no mercado.

Recentemente, o Banco Central (BC) publicou a resolução nº 86, trazendo 2 novidades para a segunda fase de implementação do open banking: a instituição de um manual de experiência do cliente e também criação de ambiente de teste de APIs.

De acordo com a resolução, o Manual de Experiência do Cliente no Open Banking deve conter:

I – Os princípios que devem nortear a experiência do cliente no processo de solicitação de compartilhamento de dados e serviços no Open Banking; e

II – Os requisitos do guia de experiência do cliente, inclusive o seu conteúdo e estrutura de tópicos, com vistas a harmonizar as etapas de consentimento, autenticação e confirmação entre as instituições participantes do Open Banking.

Outros 4 manuais já haviam sido previstos pela regulamentação. São eles: Escopo de Dados e Serviços; APIs (programas de aplicação); Serviços Prestados pela Estrutura de Governança; e Segurança.

“[A resolução] Tem por objetivo harmonizar os procedimentos e as informações disponibilizadas pelas instituições participantes aos clientes, com vistas a assegurar uma experiência ágil, segura, conveniente, e transparente”, explicou o BC, em nota.

Além disso, a ideia por trás da criação de um ambiente de teste de APIs é justamente para garantir que as instituições possam testar suas APIs no estágio do desenvolvimento, para entregar aos clientes uma experiência segura.

Benefícios e desafios do open banking

Com o open banking, o acesso às informações dos bancos por terceiros se torna mais rápido e barato, possibilitando o desenvolvimento de novos negócios e ecossistemas digitais. Ao longo do tempo, isso se reverte em um mercado mais competitivo e com melhores ofertas de serviço para os consumidores.

Um estudo da KPMG aponta que as fintechs alavancaram os investimentos de Venture Capital no país: só no 4º trimestre do ano passado 29% delas receberam esse aporte, seguidas das adtechs e martechs (9%) — especializadas em publicidade e marketing. “Tem o estímulo do Banco Central em abrir o mercado com o open banking, por exemplo. Todo mundo está investindo nesse tipo de startup, vemos desde os fundos até varejo”, comentou Roberto Haddad, sócio-líder de PE da KPMG, na newsletter The Brief, publicada em 11/02.

Como você pode observar pelo tópico acima, a implementação do open banking no Brasil está na primeira fase e ainda vai levar alguns meses para que a gente possa aplicá-lo em nosso dia a dia. Porém, já podemos destacar alguns benefícios e desafios:

Benefícios do open banking

Aumento da competitividade: com as possibilidades que o open banking vai abrir, será mais provável encontrar no mercado os serviços que mais te interessam. Assim, para não perder clientes, as instituições precisam manter os olhos abertos para a concorrência, correr atrás de inovações e melhoria no atendimento e serviços prestados aos clientes.

Autonomia e transparência para os clientes: autonomia e transparência são fundamentais para que os clientes possam decidir como e onde querem utilizar seus dados.

Estímulo à inovação e criação de novos produtos e serviços: no caminho da competitividade está a inovação e no open banking não será diferente. Afinal, é importante que as empresas encarem esse momento como uma oportunidade para inovação e não apenas uma necessidade regulamentária.

Desafios do open banking

Mecanismos de autenticação e fornecimento de dados: faz parte das exigências do BC que as instituições forneçam esses mecanismos de gestão de consentimento e autenticação de dados para preservar a privacidade dos clientes.

Crimes e fraudes na internet: este não é um desafio exclusivo do open banking, mas sim da era da internet e, portanto, da sociedade como um todo. De acordo com a pesquisa da Equinix, já mencionada acima, os DDoS (Denial Of Service ou ataque de negação de serviço) cresceram mais de 270% ao ano, enquanto 30% das empresas enfrentam o desafio de ter milhares de dispositivos inseguros conectados diariamente sem supervisão de TI. A intenção não é assustar ninguém com essa informação, mas sim demonstrar que existe essa necessidade por uma maior fiscalização e por formas de evitar que isso aconteça.

Colaboração: o BC é o órgão de governança, que determina o que precisa ser feito. Entretanto, o dia a dia será determinado pela autorregulação do mercado. Portanto, o desafio é saber identificar quais são os momentos oportunos de colaborar e quais precisam ser destinados à inovação e criação de diferenciais competitivos.

OPUS Open Banking

A OPUS desenvolveu a solução ideal para as Instituições Financeiras que querem cumprir as regulamentações do Banco Central dentro do prazo, viabilizando a participação no mercado como um diferencial competitivo. Quer saber mais? Entre com contato com a gente!

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